Vício em tecnologia: seremos dependentes das máquinas?
Enviada em 06/04/2020
Segundo pesquisa da GlobalWebIndex, o Brasil é o país onde as pessoas passam mais tempo em redes sociais. Com efeito, tal fato chama a atenção para um questionamento preocupante: seria a necessidade exagerada de conexão com a internet o indício de um futuro de dependência tecnológica em massa? Certamente, se o Brasil não tomar providências adequadas, verá cada vez mais seus cidadãos afundarem-se em super-estímulos virtuais - prática que, devido à alta necessidade social do ser humano e ao efeito viciante gerado pela desregulação hormonal, induz à dependência.
De acordo a Teoria das Necessidades Humanas, elaborada pelo psicólogo norte-americano Abraham Maslow, a necessidade de ser incluído em grupos sociais é tão impactante no ser humano que faz com que ele abdique até mesmo de parte da própria personalidade na busca por esse objetivo. Assim, o fenômeno das redes sociais constitui um caldo de cultura ideal para a busca incessante por aprovação, que coloca os usuários em um loop interminável: quanto mais ele posta, mais é recompensado com likes e comentários de seus seguidores, o que o faz querer alimentar esse ciclo constantemente, na esperança de que isso continue lhe proporcionando o tão desejado sentimento de pertencimento. Logo, para que a necessidade angustiante de aprovação não prejudique os brasileiros em demasia, é crucial que reflitam sobre os efeitos de seus hábitos online e os abandonem.
Em segunda instância, há outro fator importante no que concerne ao efeito viciante do uso de redes sociais e mídias em geral. Segundo um artigo publicado na revista Science em 2010, o estímulo exagerado a atividades que gerem prazer induz à produção excessiva de dopamina, o que desregula as funções neurais. Desse modo, o indivíduo passa a buscar sempre por atividades estimulantes e perde o interesse naquelas que não representem dose significativa de liberação do hormônio hedônico, o que caracterizaria a dependência. Assim, a exposição frequente às redes sociais, jogos eletrônicos e vídeos de entretenimento, por exemplo, além de levar os usuários à dependência tecnológica, ainda lhes tira a vontade e a capacidade de concentração em atividades que representem hábitos saudáveis, como a leitura, a meditação e a prática de exercícios físicos.
Por esses motivos, urge que a dependência tecnológica seja freada o mais breve possível. Para tanto, o Ministério da Saúde deve elaborar uma campanha, em parceria com canais midiáticos populares, que vise informar os cidadãos sobre os perigos desse vício e os sintomas associados, sugerindo-lhes maneiras saudáveis de lidar com o problema. Com isso, os brasileiros estarão bem informados para se desviar do uso abusivo de tecnologias e poderão lograr os frutos de uma vida mais saudável, deixando de figurar no indesejado pódio de países mais dependentes de estímulos virtuais.