Transfobia em debate no Brasil
Enviada em 22/08/2019
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a expectativa de vida da população está em torno de 75 anos; contudo, dados da União Nacional LGBT apontam que o tempo de vida médio de uma pessoa transgênera é de apenas 35 anos, consequentemente, essa discrepância ilustra o precário e violento cenário que a população trans está inserida. Desse modo, seu acesso a uma vida em sociedade é negado no primeiro ambiente de convívio. Ademais, devido a liberdade de escolha ser castrada pela estrutura social, a marginalidade é o único espaço que lhes resta.
Em primeiro plano, é notável o papel que o contato familiar exerce no desenvolvimento da criança e do adolescente, em ordem para formar as habilidades cognitivas, emocionais e comportamentais, esse conjunto que, posteriormente, irá assegurar seu convívio pleno em sociedade. No entanto, não raramente, quando se trata de transgêneros, há uma disrupção desse processo, uma vez que, dados coletados pelo Disque 100, do Ministério dos Direitos Humanos, indicam que um em cada seis crimes contra LGBTs (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros) foi cometido por parentes da vítima. Logo, as violências física e psicológica são naturalizadas nesses indivíduos desde cedo, visto que sistemáticas agressões são instauradas dentro do seio familiar, em consequência, o isolacionismo e a fuga do espaço de convivência são sintomas produzidos pela ausência de esperança em relações futuras.
Além disso, de acordo com Hannah Arendt, “a essência dos direitos humanos é o direito de ter direitos”, mesmo que esse pressuposto estabeleça as bases inalienáveis para uma vida humana, isso não é conferido a transexuais e travestis. Dessa forma, percebe-se que através da operação de dispositivos de exclusão e invisibilização é gerado uma luta por sobrevivência, onde essas pessoas vivem com aquilo que resta nas sombras da estrutura social, já que, conforme a Associação Nacional de Transexuais e Travestis (Antra), 90% da população trans recorre a prostituição em algum momento da vida. Por isso, nota-se a constituição de uma paradoxo, no qual o povo que agride e assassina essas pessoas, é o mesmo que na calada da noite busca por seus serviços.
Portanto, a fim de minimizar a problemática, o Governo Federal deve desenvolver uma política de amparo, com enfoque no melhoramento das condições da população trans. Dessa maneira, com o Ministério dos Direitos Humanos, deve criar, em todo território nacional, centros de acolhimento que sirvam como lares temporários, com atendimentos hospitalar e terapêutico, a fim de auxiliar no processo de integração social desses indivíduos. Não obstante, deve firmar um plano de diretrizes que busque consolidá-los a estrutura social, através da implantação de cotas para transgêneros dentro das empresas. Assim, é possível melhorar o cenário dessa população tão fragilizada.