Transfobia em debate no Brasil

Enviada em 09/10/2018

A problemática da transfobia no Brasil tornou-se alvo de debate a partir da constatação do país como líder mundial em homicídios de LGBTs, segundo o Atlas da violência de 2017. Logo, analogamente ao dito pelo filósofo alemão Arthur Scopenhauer, onde os limites do campo de visão de um indivíduo determinam seu entendimento do mundo que o cerca, observa-se a falta de conhecimento como fator preponderante na intolerância sofrida pelos trans na sociedade até os dias de hoje e no consequente alto índice de mortes todos os anos.

Nesse sentido, o filme " A garota dinamarquesa", indicado ao Oscar em 2016, narra a história real da primeira cirurgia de mudança de sexo documentada no mundo, onde é possível observar a marginalização social sofrida pela personagem principal e o preconceito evidente da comunidade médica ao tratar a transgenia como doença, inclusive passível de internação. Tais fatos, portanto, demonstram a população como peça-chave da intolerância ao ainda evitar o diálogo e, por conseguinte fazer permanecer o medo nos setores mais conservadores da sociedade.

Niezsche, filósofo contemporâneo também alemão, trata as leis morais como fatores gerados a partir do medo do desconhecido, podendo provocar a negação ao diferente e uma futura resposta violenta. Segundo o IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a expectativa média de vida de um travesti é de 35 anos,metade da média nacional. Concluindo-se assim que os presentes números estão diretamente relacionados à baixa representatividade não só política, como também cultural, inviabilizando ainda mais o debate.

Logo, sabendo-se das atuais barreiras impostas pelo conservadorismo e dos alarmantes índices atuais do Brasil, faz-se necessária a promoção de festivais de cinema regionais pelo Ministério da Cultura, MinC, oferecendo acesso aos longa metragens produzidos por diretores nacionais e internacionais, a fim de promover um conhecimento e um melhor contato com esse grupo social. Além disso, debates em escolas públicas com palestrantes trans e especialistas em transfobia, patrocinados pelo Ministério da Educação, MEC, proporcionariam um ambiente saudável ao convívio pacífico com as diferenças desde a formação básica. Sendo assim, será possível alargar o campo de visão do próprio indivíduo e gerar o entendimento das diversas realidades que compõe uma comunidade e caminhar para uma maior tolerância no Brasil.