Transfobia em debate no Brasil

Enviada em 03/10/2018

No filme “A Garota Dinamarquesa”, a questão da transsexualidade é abordada diretamente, narrando a jornada de auto-aceitação, e luta contra o preconceito social pela protagonista. Fora das telas de cinema, a transfobia - caracterizada pela intolerância com pessoas trans - é uma infeliz e crescente realidade, ceifando, lamentavelmente, inúmeras vidas brasileiras no contexto hodierno.

Em primeira análise, cabe pontuar que um dos principais fatores para a ocorrência de tamanha problemática é a institucionalização do preconceito com pessoas LGBT na sociedade, aliada à desinformação educacional dos civis sobre o assunto. Isso posto, conforme o pensador Durkheim, um fato social é marcado pela sua generalidade, coercitividade e exterioridade. Nesse sentido, da mesma forma é estabelecido o preconceito: seja pela adoção de valores conservadores de uma moral excludente, seja pela propagação midiática, que comumente segrega e ridiculariza personagens desviantes da heteronormatividade. Sendo assim, os indivíduos de uma sociedade, lastimavelmente, tendem a mimetizar e a promover a marginalização desses grupos. Por fim, os reflexos dessa petrificada estrutura se tornam tão intensos, que, de acordo com dados coletados pelo “Grupo Gay da Bahia”, cerca de 343 LGBT foram assassinados no Brasil em 2016.

Em segunda análise, convém frisar o relevante papel do Estado para a questão da transfobia no Brasil. Conforme os ensinamentos do antigo filósofo grego Aristóteles, é dever do Estado servir de intermediador para garantir a felicidade de todos os cidadãos. Entretanto, tal máxima é seriamente contestada ao se analisar o papel que o aparelho estatal teve, ao longo do tempo, ao segregar seus próprios componentes. Um exemplo disso foi o caso da Alemanha nazista, que prendia pessoas LGBT em campos de concentração, promovendo um verdadeiro extermínio dessa classe. Mesmo do outro lado do mundo, a situação brasileira não é diferente: a negligência estatal, que não faz esforços para incluir no escopo educacional as questões vinculadas ao gênero, mostram a incompetência governamental para lidar com o assunto, solidificando um cenário de ampliação do impasse.

Sendo assim, consideradas todas as aplicações negativas que a transfobia possui na sociedade, medidas combativas precisam ser elaboradas. Dito isso, é crucial que o Estado retome seu papel interventor como proposto por Aristóteles - em especial, o Ministério da Educação - promovendo a criação de eventos especiais e debates nos colégios de rede pública, democratizando o acesso às discussões de gênero para a população. Tais debates devem se dar por meio de palestras presenciais, contando com o auxílio de especialistas na área, além de contar, também, com a presença de psicólogos que orientem os jovens desde novos, com o fito final de se superar o arcaico problema.