Tráfico humano em questão no Brasil
Enviada em 12/11/2021
Ocupando a terceira posição no ranking dos negócios ilícitos mais rentáveis do mundo, o tráfico de pessoas se destaca como a comercialização de seres humanos para fins diversos e, na maioria das vezes, exploratórios. Na dinâmica mundial do tráfico humano, o Brasil se posiciona tanto como uma das nações que oferece um montante de vítimas potenciais, como uma das que recebe essas vítimas, vindas de outros países. São nesses dois pontos que a questão se torna uma problemática que merece evidência. A priori, é importante relembrar a trajetória do comércio humano dentro do território brasileiro. Já no século XVI, o país dava início ao que se consolidou, durante o período colonial, como o tráfico negreiro: o ato de trazer para o Brasil pessoas do continente africano e transformá-las em produtos com a finalidade de trabalho árduo, humilhações e nenhum salário em troca. Embora essa lamentável realidade não se mantenha na época atual, a movimentação aliada ao comércio ilegal de pessoas para o país ainda ocorre. Tais indivíduos são trazidos por grupos clandestinos e, a princípio, buscam na imigração uma oportunidade de vida melhor e, ao chegar, se deparam com um cenário de ameaças e trabalho análogo à escravidão. Eis a primeira situação problema: com o passar dos anos, o Brasil continua sendo um território que recebe vítimas de contrabando de indivíduos. Ademais, faz-se presente o segundo revés derivado da mesma questão: o Brasil é um país que detém uma quantidade de vítimas potenciais para o comércio clandestino de pessoas. Por esta razão, nas últimas décadas a mídia tem dado atenção para a questão do tráfico humano nas novelas e nos programas de notícias. A novela Salve Jorge, por exemplo, abriu espaço para uma série de debates acerca do tema durante o período em que foi exibida. No meio digital, o canal, da plataforma YouTube, SobreVivendo na Turquia tem se tornado conhecido por abordar a questão do perigo oferecido pelas redes sociais, que facilitam a comunicação entre os usuários e as organizações de tráfico de pessoas. Em síntese, a questão do tráfico humano no Brasil é cerceada por dois problemas base, sendo este um país que recebe vítimas de outros países e, ao mesmo tempo, um país que oferece alvos. Partindo deste ponto, é imprescindível que, por parte do Conselho Nacional de Imigração, se crie um projeto que vise a participação de profissionais que tenham experiência com o tema abordado, e orientem os migrantes que planejam ficar por um longo tempo no país. O objetivo é fazer com que o próprio indivíduo consiga barrar o processo do tráfico, tomando consciência de como ele ocorre. Além disso, é importante que o Ministério da Comunicação desenvolva um programa de publicidade com o enfoque na temática do comércio de pessoas. Este programa traria para as redes sociais propagandas contendo informações acerca do assunto, do modus operandi dos criminosos e meios de se prevenir, com o objetivo de que as vítimas não se consodolidem. Ambos os projetos tornariam as possíveis vítimas mais conscientes sobre a questão e, consequentemente, quebrariam o ciclo do tráfico humano.