Tráfico humano em questão no Brasil
Enviada em 12/11/2021
Na obra “O Grito”, de 1893, o renomado pintor francês Edvard Munch utilizou célebres nuances de pinceladas para retratar o medo nas linhas faciais do protagonista. Mais de 120 anos depois, esse sentimento faz-se presente no semblante populacional em razão da existência do tráfico humano no terrítório nacional. Sob essa ótica, nota-se que a vulnerabilidade histórico-social e a ganância financeira aliada ao desprezo contribuem notoriamente para a formação dessa vicissitude no país. Logo, rever as ações e a situação hodierna é imprescindível para solucionar essa chaga e garantir qualidade de vida a todos.
Nessa perspectiva, convém enaltecer que a fragilidade comunitária enfrentada há décadas por alguns cidadãos, como os negros, devido à herança colonial acarreta graves intempéries. Sob esse viés, a colonização explorátoria deixou marcas na sociedade contemporânea, como a baixa escolaridade e a desigualdade rentária, inclusive, esses são 89% dos motivos que fragilizam as pessoas à persuação para o contrabando, conforme dados da ONU (Organização das Nações Unidas). De fato, o contexto nocivo oriundo desses empencilhos primitivos atesta na prática a obra, “Ética e Nicômaco’, do filósofo Aristóteles, a qual afirma que as carências ocasionam mazelas grupais. Assim, a debilidade dos indivíduos fomenta a visão da comercialização dos seres como única chance de ascenção social.
Nesse tocante, ressalta-se que a ambição econômica do homem, concomitantemente, com a desestima ao próximo influi decisivamente no bem-estar coletivo. Acerca dessa lógica, inúmeros traficantes cercados por essa visão egocêntrica lucrativa, comercializam e exploram os cidadãos carentes. Em verdade, esse grupo confirma no cotidano o ideal existente na literatura, “Modernidade Líquida”, do autor Zigmunt Bauman, em que o individualismo é a marca - e o maior problema- da era moderna. Então, a alta rentabilidade desse hediondo comércio impulsiona a realização, mesmo que seja considerado crime previsto na Constituição.
Portanto, diante dos fatos supracitados, percebe-se a relevância de discurtir e resolver essa temática humanitária no Brasil. Desse modo, cabe ao Governo Federal, com o auxílio dos estados, por intermédio de reuniões, reorganizar a verba pública no intuito de investir na educação, no mercado de trabalho para valorizar a igualdade constitucional, corrigir os legados ruins e oferecer oportunidade geral. Outrossim, urge que as instituições formadoras de opiniões, por exemplo escolas, em parceria com ONGs (Organizações Não Governamentais), mediante encontros semanais, façam palestras socioeducativas à comunidade a fim de esclarecer a legalidade dos atos e incitar a empatia. Dessa maneira, a emoção ilustrada no quadro expressionista não existirá nos rostos dos brasileiros.