Tabagismo no século XXI: problemas e consequências
Enviada em 27/04/2021
Aumento publicitário da indústria do tabaco, banalização das consequências, postura escapista. Diversas são as causas do aumento do tabagismo na sociedade brasileira do século XXI, que contrastam com o Artigo 196 da Constituição Federal de 1988, o qual afirma que a saúde é direito de todos e dever do Estado, devendo ser promovida e recuperada. Dessa forma, cabe ao Ministério da Saúde o compromisso de atenuar esse problema, de modo que sejam sanados os obstáculos enfrentados pelo combate ao uso do tabaco, e, frente a isso, reduzidas suas consequências negativas.
Nesse contexto, percebe-se um demasiado aumento publicitário da indústria tabagista. Isso é mostrado, exemplarmente, no longa-metragem estadunidense “Obrigado por fumar”, no qual nota-se que os fabricantes de cigarros investem milhões na divulgação de seus produtos. Sendo assim, é ocasionado uma banalização das consequências negativas acerca do tabagismo, uma vez que essa publicidade não informa, e, ainda, não conscientiza sobre as doenças trazidas por ele. Além disso, nota-se a presença de uma postura escapista, a qual pode ser explicada pelo filósofo sul-coreano Byung-Chul Han, em sua obra “Sociedade do cansaço”. De acordo com ele, a contemporaneidade é marcada por um excesso de positividade - assegurado pela mensagem de que todos devem ser, em tempo integral, produtivos, e, também, pela ideia de que todas as metas são alcançáveis. Desse modo, é desenvolvido nos indivíduos um intenso cansaço físico e mental, que provoca, quase que obrigatoriamente, um comportamento fugitivo, levando-os, por exemplo, ao consumo do tabaco.
Consequentemente, em se tratando do espectro individual, pode-se atribuir a essa prática viciante o desenvolvimento de doenças, como câncer e enfisema pulmonares. Essas, quando direcionadas para o âmbito coletivo, provocam uma demasiada carga financeira ao sistema público de saúde, uma vez que, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer, são gastos, por ano, 21 bilhões de reais no tratamento de enfermidades relacionadas ao tabagismo .
Diante dessa problemática, consta-se, portanto, que, com o objetivo de prevenir a formação de novos fumantes e conscientizar os já existentes, o Ministério da Saúde deve elaborar campanhas publicitárias - de modo que sejam muito apelativas e que alertem para os perigos do cigarro à vida -, por intermédio de plataformas digitais, como redes sociais e a televisão. Adicionalmente, com vistas a diminuir a postura escapista dos indivíduos, é importante que o Ministério da Educação ofereça, por meio de escolas e centros públicos, palestras que visem à promoção do bem-estar mental das pessoas - sendo comandadas, então, por profissionais da área, como psicólogos (as) e psiquiatras. Dessa maneira, tornar-se-á convicto um melhor cumprimento do Artigo 196 da Constituição Federal de 1988.