Tabagismo no século XXI: problemas e consequências
Enviada em 07/12/2020
Para o sociólogo Émile Durkheim, o fato social é um conjunto de valores compartilhados por um determinado grupo e imposto aos sujeitos de um ambiente. Tal conceito pode servir como instrumento para explicar o avanço do tabagismo na sociedade brasileira, já que a conduta coletiva incentiva uma despreocupação generalizada com a questão do dependente químico e, assim, o problema tem se agravado. Essa situação é fruto inquestionável de uma cultura capitalista no qual as consequências do tabagismo não são medidas. Logo, entre os fatores que contribuem para aprofundar esse cenário, pode-se salientar a abordagem ineficaz das escolas, juntamente com uma mídia manipuladora.
Dessa forma, é importante reconhecer que o fraco posicionamento da escola que não se alicerça na reflexão ética promove uma naturalização do tabagismo de forma coletiva. Isso ocorre porque as instituições de ensino foram esvaziadas de sua função de formação ética e se tornaram apenas centros de preparação de indivíduos para o mercado de trabalho. Esse cenário é semelhante ao que defendeu o educador Paulo Freire em seu ensaio “Pedagogia do Oprimido” no qual ele afirma sua crítica ao sistema social em que a escola apenas reproduz comportamentos violentos capazes de transformar sujeitos em agentes de valores individualistas, tais como a ausência de preocupação com o tabagismo.
Além disso, torna-se imperativo perceber que uma mídia controladora contribui com uma sociedade em que o tabagismo torna a população cada vez mais cega e doente. Essa situação acontece em decorrência do capitalismo que, mesmo com a Lei Antifumo, consegue manter as empresas de tabaco lucrativas pelo amornamento do tema pelas empresas midiáticas. Esse processo aproxima-se daquilo que afirmou o jornalista Caco Barcellos para quem “a culpa não é de quem não sabe, mas de quem não informa”, já que essas empresas midiáticas atuam para desinformar a sociedade sobre os malefícios de tabagismo e deixando todos reféns dessa indústria inconsequente.
Diante do exposto, avalia-se que a dependência química gerada pelo tabagismo é agravada por uma cultura que se preocupa mais com o lucro do que com a saúde pública. Para resolver esse proble- ma é importante que o Governo Federal, por meio de um Decreto Federativo, estabeleça um Plano Nacional de Incentivo à Saúde que tenha a finalidade de promover políticas públicas com a intenção de diminuir quadros de dependência química, estabelecendo projetos de lei que garantam que todas as escolas possuam verbas para oferecer cursos para famílias com o intuito de instruir a sociedade. Além disso, é preciso garantir uma nova regulamentação sobre o conteúdo das mídias abertas, obrigando canais de televisão e mídia impressa a abordarem esse debate. Dessa forma, os fatos sociais que fa-
zem com que a sociedade brasileira aceite o tabagismo como algo normal, poderão ser ultrapassados.