Tabagismo no século XXI: problemas e consequências

Enviada em 02/12/2020

O limiar do século XX foi marcado por importantes mudanças no meio midiático, com o início da dominação de Hollywood sobre o cinema mundial, o qual, posteriormente, foi uma das principais vias de propagação e influência para o uso do cigarro. Haja vista que a prática do fumo foi associada, mediante aos filmes da época, ao glamour e atribuído à ascensão social. De maneira análoga, a atual realidade nacional apresenta problemas e enfrenta consequências vinculadas as indústrias do tabaco. Nesse âmbito, faz-se necessário analisar dois entraves acerca do óbice social apresentado: a ampliação de propagandas voltadas ao público mais jovem e reduzida adesão governamental.

Em primeiro plano, é fundamental salientar a eminente influência das mídias e do ciberespaço diante dos problemas e consequências relacionados ao uso do cigarro, sobretudo ao público mais jovem. Tendo em vista que o uso do tabaco por influenciadores sociais, por intermédio de aspectos associados à diversão e descontração, é um dos principais recursos para atrair grupos juvenis, de acordo com Stella Bialous, professora da Universidade da Califórnia. Ademais, segundo o Ministério da Saúde, o Brasil, de 2016 para 2017, apresentou um aumento no uso do cigarro em faixas de 18 e 24 anos. Portanto, é indubitável a capacidade de influência das figuras públicas sobre seus seguidores, com possibilidade de manter e ampliar os efeitos ocasionados pela indústria do tabaco.

Outrossim, a reduzida assistência estatal à garantia das políticas de redução do uso do cigarro é, da mesma forma, um obstáculo à superação dos problemas proporcionados pelas empresas do fumo. Em vista disso, apesar das políticas propostas pela OMS na Agenda de 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, as quais têm como objetivo controlar a propagação do tabaco, além de reduzir o desenvolvimento de doenças causadas ou agravadas pelo uso, 428 pessoas morrem, por dia no Brasil diante do uso da nicotina, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer. Para mais, cerca de 57 bilhões de reais são perdidos por ano, em consequência da utilização do tabaco, conforme a INCA. Nesse sentido, mesmo com políticas que visam reduzir o uso do cigarro, não há ampla execução do instituído.

Dessa forma, ao considerar a inquestionável existência de problemas e consequências propiciadas pelo tabaco, a iniciativa privada deve estimular a responsabilidade social ao financiar peças publicitárias sobre os reais malefícios proporcionados pela prática do fumo, principalmente entre os jovens, para instrumentalizar a sociedade acerca dos problemas e consequências em relação ao ato. Assim como, os três Poderes, principais meios de harmonia e organização governamental, devem garantir a efetivação dos aspectos já instituídos por meio da ampliação e fiscalização das leis para possibilitar a redução do óbice social.