Tabagismo no século XXI: problemas e consequências
Enviada em 01/12/2020
A célebre frase “No meio do caminho tinha uma pedra”, cunhada no poema de Carlos Drummond, retrata as intempéries que surgem na jornada do eu lírico, as quais, metaforizadas como pedras, obstruem o percurso de sua vida. Fora da ficção, tal poesia se reflete no contexto atual, já que, no meio do caminho dos efeitos do tabagismo no Brasil, existem pedras. Diante dessa perspectiva, é preciso assumir a postura de um geólogo, com a intenção de analisar as medidas que precisam ser aplicadas para que as rochas, ora da negligência do Estado, ora da alienação, sejam levadas ao intemperismo.
Vale destacar, de início, que a desídia governamental corrobora para a vulnerabilidade social. Isso porque, segundo Aristóteles, em seu livro “Ética a Nicômaco”, “A política existe para preservar a felicidade da nação”. No entanto, o cenário atual rompe com o ideal proposto pelo filósofo, visto que, de acordo com o médico Dráuzio Varella, o tabagismo – toxicomania caracterizada pela dependência psicológica do consumo de nicotina – potencializa os casos de infecção por Covid – 19, sobretudo em razão de atacar o sistema respiratório, parte do organismo que o Coronavírus afeta. Dessa maneira, vê-se a necessidade de apoio do poder público, seja pelo Sistema Único de Saúde, seja pela educação.
Faz-se mister, ainda, salientar que a alienação agrava a saúde brasileira. Isso pode ser explicado pelo fato da coletividade nupérrima viver em um “Estado de Anomia”, definido pelo sociólogo Émile Durkheim como um espaço de descontrole social, em virtude das novas tecnologias. Em consequência disso, conforme a matéria do portal de notícias G1, de 2020, a população fumante, mais suscetíveis a problemas pulmonares, nos últimos 10 anos, aumentou em 32%, especialmente por conta das redes midiáticas – softwares que manipulam as ações das pessoas – promoverem o uso indiscriminado de cigarros, fatores que acentuam os quadros de enfermidades coronarianas. Desse modo, evidencia-se que a alienação constitui um atentado à democracia, pois provoca transgressão à higidez social.
Portanto, com o intuito de mitigar os impactos causados pelo tabagismo no Brasil, cabe ao Governo criar políticas públicas, mediante leis educacionais – que determinem disciplinas de educação sanitária nas grades curriculares -, a fim de mostrar aos alunos os malefícios do tabaco para a saúde, principalmente quando se trata do novo Coronavírus. Ademais, tais ações devem ser realizadas em parceria com as escolas, por intermédio de palestras referentes aos prejuízos da alienação, em que professores, psicólogos e médicos estimularão o pensamento autônomo dos alunos, com a finalidade de proporcionar sumo bem-estar, bem como a diminuição dos casos de doenças motivadas pela nicotina. Destarte, o cainho tornar-se-á livre, pois, como disse a poetisa Cora Coralina: “Com as pedras atiradas, construí a minha obra”.