Tabagismo no século XXI: problemas e consequências
Enviada em 01/12/2020
O filme “Obrigado por Fumar” retrata Nick, o personagem principal, como porta-voz das empresas de cigarro, cujo trabalho é defender o direito dos fumantes. Na trama, ele passa a manipular informações nos programas de TV, de forma a “reduzir” os riscos do fumo, bem como promover o uso deste. Apesar de ficcional, a obra reflete a realidade brasileira que, embora tenha presenciado uma diminuição das estatísticas nos últimos anos, encontra desafios em superar o tabagismo. Sendo assim, cabe analisar as causas e os efeitos dessa problemática.
A priori, é válido destacar as causas sob a perspectiva de Adorno e Horkheimer em seus conceitos de “Indústria Cultural”. Para os sociólogos da Escola de Frankfurt, com os avanços das tecnologias e do capitalismo, a saúde passou a ser objeto industrial, para ser comercializada com finalidades prioritariamente lucrativas, mediante os instrumentos de comunicação de massa. Sob esse prisma, houve um aumento do uso do tabaco após a Segunda Guerra Mundial devido ao patrocínio das empresas da substância aos filmes hollywoodianos, que tinham, como temática, a glamourização do cigarro, associando-o ao estilo de vida moderno. Entretanto, tais práticas devem ser rompidas, visto que impactam negativamente a sociedade e corroboram para a mercantilização da saúde. Dessa maneira, medidas político-sociais devem ser tomadas.
A posteriori, deve-se discutir os efeitos sob a ótica de Thomas Hobbes. Para o contratualista, o Estado é responsável pela saúde e bem-estar social. Nesse sentido, nota-se ineficiência governamental, dado que, apesar de previsto Constitucionalmente, tal direito não é aplicado. Isso se comprova quando, devido à alta demanda por serviços públicos e incapacidade de atendê-la, o Sistema Único de Saúde (SUS) entra em colapso, prejudicando, até mesmo, outros setores de atendimento; afinal, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o tabagismo gera um prejuízo financeiro de 44 bilhões de reais por ano. Desse modo, faz-se mister a reformulação de medidas públicas.
Portanto, são necessárias intervenções para atenuar os obstáculos supracitados. Para tanto, cabe ao Ministério da Saúde, criar propagandas nacionais antifumo, por meio da veiculação na grande mídia - canais abertos televisivos e redes sociais. Tais propagandas contarão com Parceria Público-Privadas com grandes canais abertos de comunicação, mediante a isenção de impostos para estes, bem como anúncio amplo dos serviços de tratamento do vício oferecidos pelo SUS - terapia de reposição de nicotina -, a fim de transmitir informações sobre o recurso terapêutico ao público fumante e encaminhá-lo ao tratamento adequado, como também alertar a população, em geral, sobre os prejuízos causados pelo cigarro. Feito isso, o Brasil não sofrerá as mazelas causadas pelos “Nicks”.