Tabagismo no século XXI: problemas e consequências

Enviada em 03/12/2020

Na década de 80, auge das propagandas televisivas, surge a publicidade mais polêmica do grupo Nestlé, os famosos “cigarrinhos de chocolate”, os quais induziam crianças à suposta elegância do consumo de cigarros. Tal propaganda, problematizada anos depois, converge substancialmente da realidade contemporânea, uma vez que a glamourização do uso do tabaco  ignora seus malefícios, e além disso, gera uma cadeia de problemáticas sociais. Nesse sentido, nota-se a falta de apoio psicoterapêutico ao desuso e a má influência midiática como pilares fundamentais para o impedimento da resolução dessa conjuntura.

Deve-se compreender, inicialmente, que os consumidores do tabaco encontram dificuldades em largar a droga sem um apoio psicológico. Tendo isso em mente, o âmbito da psicologia associa o consumo de drogas , cigarros e o fumo à possível fuga da realidade, isso explicaria o vício oriundo dos efeitos psicoativos. Além disso, para a psicóloga Silvia Maria Cury, a compreensão sobre esses mecanismos psíquicos evita que o fumante tenha recaída, isso ocorre porque as técnicas comportamentais auxiliam no processo de autocontrole. Entretanto, a procura pela ajuda de um profissional tem baixas perspectivas, o que torna ainda mais complexo e urgente a análise desse cenário.

Ademais, vale salientar a preponderância da mídia no que concerne a propagação do hábito de fumar na visão romantizada. De maneira análoga, o filósofo Theodor Adorno afirma que o sistema capitalista, através da indústria cultural, apropria-se de cultura para produção de bens de consumo. Tal afirmação, adaptada para o século XXI, é observada nas influências midiáticas, mais precisamente em séries e telenovelas, nas quais sugerem sensações de liberdade e independência combinadas ao uso do cigarro, que por sua vez induz a comercialização do tabaco. Em suma, faz-se profícuo o policiamento da mídia no que tange à forma que determinadas ações possam influenciar seus telespectadores.

Logo, medidas devem ser efetivadas para que o déficit da assistência psicoterapêutica e as atitudes inadequadas da mídia sejam minimizadas. Desse modo, o Ministério da Saúde deve promover projetos de cunho social, voltados ao combate do tabagismo, por meio de seminários socioeducativos gratuitos em universidades, associações e casas de reabilitação. Além disso, é fundamental que o poder público fiscalize as produções midiáticas, e que as mesmas passem por revisões antes de serem divulgadas, exigindo alertas das possíveis consequências causadas pelo uso do tabaco. Tais medidas terão a finalidade de diminuir o incentivo ao fumo e corroborar com o tratamento de fumantes, garantindo assim, uma sociedade equilibrada e compromissada com a saúde.