Tabagismo no século XXI: problemas e consequências
Enviada em 25/10/2020
Na obra cinematográfica “Obrigado por fumar”, narra-se a história de um lobista e porta voz de uma indústria de cigarros. Esse protagonista, por sua vez, utiliza de todos os meios para manipular a população acerca do consumo do tabaco. Ademais, tal obra fictícia, além de expor uma reflexão sobre o princípio de autonomia privada, trás o cenário de perpetuação do tabagismo na sociedade hodierna. Sob esse viés, faz-se necessário analisar dois entraves sociais acerca do tabagismo no século XXI: a glamourização do fumo e a influência da indústria de cigarros.
É importante ressaltar, em primeiro plano, que existe uma influência social do fumo por parte da mídia, assim muitos jovens começam a fumar persuadidos por padrões de comportamento considerados adequados ora por personagens de filmes e séries, ora pelo próprio âmbito social que se encontram. Dessa forma, mesmo que a propaganda do fumo esteja proibida nos meios de comunicação, ela se perpetua por diversos meios midiáticos. Ademais, segundo o Ministério da Saúde do Brasil, 80% dos fumantes iniciam o hábito antes dos 18 anos de idade. Nessa perspectiva, evidencia-se que a pouca abordagem sobre o fetichismo do fumo e seus impactos dificulta o combate ao tabagismo, o qual segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), é responsável por diversas doenças -como por exemplo o câncer-, que são responsáveis por uma morte a cada 6 segundos.
Além disso, é sabido que o século XXI é marcado pelo forte apelo consumista de marcas e produtos, bem como a globalização de tendências e costumes. Sendo assim, embora um estudo da revista The Lancet revele uma queda significativa dos fumantes brasileiros entre os anos de 1990 até 2015, principalmente devido a Lei Antifumo, programas educacionais e a proibição de propagandas do tabaco, a indústria de cigarros ainda consegue articular situações de promoção ao tabaco, apoiando-se no livre-arbítrio dos fumantes como causa de exclusão da responsabilidade civil dos fabricantes de cigarros.
Pode-se perceber, portanto, que as raízes sociais de uma valorização histórica da conduta do fumante dificulta a erradicação do tabagismo na sociedade contemporânea. Logo, para que a problemática seja resolvida, é necessário que o Ministério da Saúde promova a propagação de informações por meio da grande mídia sobre os impactos do fumo, com campanhas de desestímulo a glamourização do fumo, além da maior divulgação dos tratamentos gratuitos oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), com o objetivo dede ceifar essa prática. Por conseguinte, tais ações podem reduzir significativamente o índice de mortes apontado pela OMS, melhorando a saúde do cidadão.