Tabagismo no século XXI: problemas e consequências
Enviada em 21/10/2020
Em 1995, a indústria tabagista lançava a sua principal campanha com o objetivo de incentivar o consumo de cigarro: o “cowboy” da Malboro. Com efeito, o hábito de fumar fomentado desde o século passado representa grave problema de saúde pública. Nesse contexto, a cultura do consumo de tabaco é um desafio para o país, tendo em vista não só a influência social dessa prática, como também a atuação de uma indústria lícita e economicamente poderosa.
Diante desse cenário, cabe destacar que o uso do cigarro pode estar atrelado a diversos fatores, como a coercitividade social. Nesse sentido, a tentativa de se enquadrar a um padrão ou grupo aproxima-se do pensamento do sociólogo Émile Durkheim, o qual expôs que a pressão social pode influenciar de forma coercitiva o comportamento do ser humano.Entretanto, esse hábito vicioso sensibiliza os indivíduos para doenças respiratórias, como enfisema pulmonar, bronquite, asma e covid-19, além de também afetar pessoas que não fumam ativamente, os chamados fumantes passivos. Outrossim, o cigarro é o produto de consumo mais vendido no mundo e traz um retorno promissor para os que o comercializam. Desse modo, a grande rentabilidade gerada por esse comércio dificulta o maior controle do tabaco pelo país, sendo esse um produto legal e amplamente utilizado na normalidade do cotidiano. Nesse contexto, o sociólogo Charles Mills reitera que a negligência estatal é a principal causa de problemas sociais, ou seja, os governantes dos países ignoram os males causados pelo cigarro em virtude da renda que ele gera.
Dessa forma, faz-se necessário desmistificar a cultura social do cigarro e restringir uma indústria que perdura por décadas. Para tanto, o governo, junto ao Ministério da Saúde, deve ministrar projetos de conscientização social e ajudar pessoas a se livrarem do vício, por meio de palestras em escolas e criando casas de apoio aos dependentes do cigarro, com tratamento psicológico que utilize a nicotina terapeuticamente, evitando o choque provocado pela abstinência, a fim de evitar a disseminação do fumo. Ademais, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) precisa dificultar a venda e a fabricação de cigarros, como a proibição do uso de aditivos na comercialização do tabaco, por meio de fiscalização frequente em fábricas, com o intuito de proteger a população dos males que o tabagismo causa. Somente assim, será possível acabar com a cultura idealizada no século passado, responsável por tantos danos sociais.