Tabagismo no século XXI: problemas e consequências
Enviada em 19/10/2020
Na sitcom americana “Friends”, Chandler passa por inúmeras tentativas de eliminar seu vício em cigarro, presente em recaídas como “válvula de escape”. Fora do âmbito ficcional, assim como o personagem, autoridades e indivíduos buscam caminhos eficientes para o combate desse hábito, tendo em vista o notório o crescimento do tabagismo no país. Esse contexto, incitado por estereótipos sociais e pelo descaso estatal para com a população, implica problemas de saúde e na necessidade de mudança.
A princípio, faz-se necessário entender o porquê do tabagismo ainda estar tão presente na sociedade, apesar do avanço informacional. Durante séculos, o hábito de fumar era sinônimo de poder, luxo e riqueza e, ao encontro da contemporaneidade, esse costume ainda sustenta status. Desse modo, como um fato social, definido pelo sociólogo Durkheim, o entorno do indivíduo faz com que o tabaco seja uma forma de solução de problemas e inclusão social, principalmente na parcela juvenil. Não obstante, ao lucrar com os impostos sobre a venda, o Estado torna mais acessível o seu consumo, abrindo portas para futuras dependências e enfermidades.
Por conseguinte, tal paradigma chega a proporções alarmantes, por vezes irreversíveis. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que o tabaco mata mais de 8 milhões de pessoas anualmente, sendo elas fumantes ativas e passivas e, ademais, é responsável pelo desenvolvimento de doenças como câncer e problemas pulmonares. Assim, a mobilização para a reversão desse quadro em crescente torna-se árdua e constante, uma vez que, segundo Charles Duhigg, em “o poder do habito”, vícios como álcool e cigarro passam por um longo caminho até atingir a mudança. Dessa forma, campanhas como a criação do Dia Mundial Sem Tabaco, pela OMS, e inserção de imagens de advertência, pela Anvisa, tornam-se parcialmente eficazes no combate ao tabagismo.
Destarte, é notória a necessidade de ações mais incisivas na luta contra o tabagismo. Cabe, portanto, ao governo federal-entidade responsável pelas leis-, utilizar da parceria entre os Ministérios da Saúde e Educação para a promoção de projetos escolares contra o consumo de tabaco. Esses projetos devem ser incluídos na BNCC e agregar desde os anos iniciais, de modo a incentivar a conscientização precoce e extinção de possíveis fumantes, além de contar com profissionais especializados para amparo aos que já estão inseridos ao vício. Com essas medidas, tal conjuntura caminhará para o decrescimento.