Tabagismo no século XXI: problemas e consequências

Enviada em 23/10/2020

De acordo com o Epicurismo, corrente filosófica, o bem-estar e o pleno estado de tranquilidade são obtidos pela procura dos prazeres moderados, sem demasia. Entretanto, tal conceito muito se distancia da realidade das pessoas dependentes do tabaco, as quais enfrentam sofrimentos por consequência do vício em nicotina. Desse modo, deve-se analisar como o estilo de vida contemporâneo e a influência midiática impulsionam a problemática tabagista, a fim de combatê-la.

A priori, a relação abusiva da população com o tabaco é agravada dentro do contexto de vida hodierno. Isso porque, consoante o sociólogo Zygmunt Bauman, a sociedade pós-moderna vive numa era de dúvidas e incertezas, fatores causadores de estresse e ansiedade. Desse modo, a nicotina é ofertada como solução para a fuga da realidade, uma vez que ela desencadeia reações no corpo que propiciam sensações de prazer – o problema, entretanto, é que seus efeitos são efêmeros e podem causar dependência. Por conseguinte, esse uso excessivo da droga deixa a pessoa vulnerável a desenvolver doenças como pneumonia, AVC, bronquite e câncer de pulmão, o qual, de acordo com dados do INCA, é o segundo tipo que mais mata no Brasil.

Outrossim, o poder midiático atrelado à lógica capitalista colabora para o aumento do número de fumantes. Tal fato ocorre pois a Indústria Cultural, termo criado por Adorno e Horkheimer, fabrica e implanta padrões e necessidades nas pessoas visando o lucro, sem desenvolver nelas um pensamento crítico sobre o que consomem. Sob essa perspectiva, as produções audiovisuais promovem a glamourização e normalização do tabagismo, associando-o a personagens com características positivas, como sofisticação e popularidade. Nesse sentido, a série “Stranger Things”, da Netflix, é uma constatação de tal afirmação, pois retrata o fumo de forma irresponsável, visto que é destinada ao público jovem. Consequentemente, adolescentes são impelidos a fumar, livres de qualquer conhecimento sobre os malefícios que tal hábito pode originar.

Portanto, urge que o Ministério da Saúde amplie os programas de cessação do tabagismo no SUS - por meio da disponibilização de medicações psicoativas e da promoção de psicoterapias individuais ou em grupo, as quais tratarão os motivos que levam o indivíduo ao uso do cigarro e o instruirão sobre formas saudáveis de lidar com o estresse contemporâneo – com o intuito de combater a dependência da nicotina. Ademais, o Governo Federal deve criar uma lei que coíba a aparição do cigarro com teor positivo em produções audiovisuais direcionadas aos jovens, e, junto à mídia, deve divulgar com mais afinco informações sobre as consequências do fumo. Assim, a filosofia epicurista aproximar-se-á da realidade de todos.