Tabagismo no século XXI: problemas e consequências

Enviada em 04/12/2020

‘‘O homem é condenado a ser livre’’. Segundo Jean Paul Sartre, a vida e a liberdade individual fomentam tamanha importância que, de acordo com o seu pensamento existencialista, o essencial é viver da melhor forma possível na cidadania do corpo social. No entanto, no Brasil, o tabagismo tão presente na sociedade contemporânea desequilibra as condições sociais que estruturam a isonomia ao bem-estar, encontrando estímulos na normalização da indústria do tabaco e uma atuação secundária do Estado no progresso da saúde.

Precipuamente, Du Bois, um ativista político, implica as falhas na perspectiva de um progresso humano ao associar os conflitos existentes no corpo da cidadania como, por exemplo, a indústria do tabaco que, de acordo com os dados da Pesquisa Especial sobre Tabagismo (Petab), 41% da população relata ter assistido anúncios de cigarros. Em outras palavras, de acordo à observação de publicidades e disseminação de precocínios em diferentes locais, a indústria do tabaco tem investido recursos e esforços para atingir cada vez mais parcelas da sociedade, principalmente os jovens, através do aprimoramento e sofisticação das embalagens dos produtos de tabaco.

Por conseguinte, acerca do panorama supracitado, é pertinente analisar a ação do Estado. Em 1904, na cidade do Rio de Janeiro, até então capital do Brasil, ocorreu a Revolta da Vacina, motim popular que contestava a campanha de vacinação obrigatória contra a varíola conduzida pelo sanitarista Oswaldo Cruz. Em virtude do autoritarismo e a violência com que foram conduzidas as reformas urbanas na cidade, desalojando milhares de brasileiros, surge a represália da sociedade que assume seu lugar de protagonismo contra a consequência de uma estruturação urbana falha e desigual, promovida por um Estado que, segundo a obra ‘‘Modernidade líquida’’ de Zygmunt Bauman, atua como uma Instituição Zumbi. Ou seja, sua forma se mantém e se perpetua, mas sem padrões e redirecionamentos, perdendo contato com as virtudes naturais humanas.

Portanto, é necessário que o Estado tome providências para melhorar o quadro atual. Para a conscientização da população brasileira, urge que o MEC crie, por meio de verbas governamentais, campanhas publicitárias que detalhem as sequelas médicas causadas pelo uso do cigarro, enfatizando, por exemplo, as diferenças entre um pulmão saudável e o mesmo órgão de um tabagista. Sob essa finalidade, o Ministério Público Federal, por meio de ações políticas avaliadas com prioridade pelo Poder Judiciário, deve promover palestras nas escolas contra o fumo e com a participação de profissionais capacitados na área da saúde. Assim, como efeito social, essa medida deve instigar o juízo de valor nos alunos a respeito dessa problemática, além de transmitir o conhecimento à família.