Tabagismo no século XXI: problemas e consequências
Enviada em 03/09/2020
Durante a segunda temporada da série hollywoodiana “Dois Homens e Meio”, a personagem Charlie é retratada como um homem prepotente e viciado em drogas, ecoando, de maneira cômica, o seu problemático comportamento tabagista em seu sobrinho, Jake. Contudo, fora das telas, a obra contribui para compreender, de modo análogo no Brasil, os recentes e preocupantes dados publicados pelo Ministério da Saúde diante de indícios de estagnação dos números de fumantes adultos e o crescimento desses entre jovens. Assim sendo, torna-se imprescindível analisar a trajetória do combate ao fumo na nação verde e amarela.
Sob um primeiro plano, é necessário atentar-se ao papel persuasivo que possui a indústria do entretenimento quando se trata de comportamento social. Destarte, assim como corrobora as recentes pesquisas realizadas pelo Ministério da Saúde, personagens como Charlie Harper têm papel fundamental na conduta principalmente de jovens. Isso se deve, em grande parte, à uma longa jornada da romantização do fumo - como mostrado no filme também hollywoodiano “Obrigado por fumar”. Para tanto, o Ministério da Justiça tem criado políticas como a não recomendação de filmes com consumo de cigarros a adolescentes menores de 12 anos, no entanto é notável ainda a insuficiência de medidas mais rígidas nesse âmbito.
Sob outro prisma, atentar-se à ameaça que a estagnação do número de fumantes traz à saúde e aos cofres públicos é inevitável. Isso pois, de acordo com o INCA(Instituto Nacional do Câncer), desde a criação do Plano Nacional de Controle do Tabaco em 1986 o Brasil já evitou a perda de mais de 57 bilhões de reais por ano gastos no combate à doenças provenientes do tabagismo. Isso é, além de influir no crescimento de casos de cânceres - majoritariamente o de boca e bexiga, ainda segundo o INCA -, o descontrole do número de fumantes no país acarreta concomitantemente no desvio de recursos que poderiam ser utilizados em outras áreas, como a educação por exemplo.
Portanto, mesmo com notáveis políticas ao longo das últimas décadas, infere-se que o tabagismo prevalece no Brasil com números preocupantes. Sendo assim, é, primordialmente, dever da Receita Federal - órgão de maior responsabilidade no controle tributário brasileiro - aumentar tarifas sobre produtos que viabilizam a prática do fumo, como cigarros e narguilés; o que dificultaria o acesso de grande parte dos brasileiros à tais produtos e promoveria um decaimento nos índices de fumantes a curto prazo. Mais adiante, também se faz necessário, por intermédio do Ministério da Justiça, ampliar a classificação indicativa de conteúdos de entretenimento para jovens de maior idade. Dessa forma, personagens como Charlie Harper cumprirão somente o seu único papel: a diversão.