Tabagismo no século XXI: problemas e consequências
Enviada em 16/08/2020
O Dia Mundial sem Tabaco é uma data celebrada anualmente no dia 31 de maio que foi criada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma estratégia mundial de conscientização sobre os problemas e consequências do consumo de produtos de tabaco. Sob essa ética, é inegável a crucialidade do seu controle no mundo contemporâneo. No entanto, ao observar a conjuntura hodierna, é notório que essa imprescindibilidade não tem sido considerada. Destarte, são necessárias medidas capazes de garantir o comedimento do tabagismo no século XXI.
Precipuamente, é fulcral pontuar que a sétima arte promove a glamourização do fumo. Segundo o antropólogo francês Claude Lévi-Strauss, só é possível interpretar adequadamente as ações coletivas por meio do entendimento dos eventos históricos. Nesse sentido, a Era de Ouro de Hollywood contribuiu, intrinsecamente, para o aumento desse comportamento vinculando-o com a rebeldia, o sexo e a liberdade. Ao longo das décadas, o cinema foi usado como veículo de propaganda pela indústria do tabaco e, de fato, se mostrou um meio capaz de levar a imagem desejada pelas companhias à vida de um número exponencial de pessoas.
Em paralelo a isso, esse quadro encontra terra fértil numa sociedade hedonista. De acordo com o hedonismo, filosofia grega, o prazer é o bem supremo da humanidade. Nessa perspectiva, a busca por prazeres instantâneos é justificada como o sentido da vida moral. Entretanto, essa procura caracteriza-se como um agravante na questão do tabagismo, atuando fortemente em sua base o que, consequentemente, oculta os efeitos maléficos do seu uso. Conforme o Anuário Brasileiro do Tabaco, o tabagismo é responsável por cerca de 800 mil mortes por ano no Brasil, fato desconsiderado, atualmente, por um mundo de satisfação momentânea que enxerga essa prática como sinônimo de formosura - por influência do cinema -, quando, na verdade, está atrelada a diversos problemas de saúde.
Infere-se, portanto, que ainda há entraves para o controle do tabagismo e a consolidação de um mundo melhor.Torna-se imperativo, então, que o MEC, em parceria com as escolas, incentivem projetos que desenvolvam o pensamento racional e planejador dos alunos, para que, dessa forma, não busquem por prazeres instantâneos nocivos. Para isso, devem promover oficinas com psicólogos e especialistas no assunto, tratando da importância do planejamento na melhoria da qualidade de vida dos indivíduos e na solução de questões como o fumo. Tais eventos devem ser abertos à comunidade, a fim de que um maior número de pessoas possa ser impactado. A partir dessas ações, espera-se que o hábito do planejamento torne-se constante na realidade atual, sobrepondo o pensamento hedonista.