Tabagismo no século XXI: problemas e consequências
Enviada em 05/08/2020
Não obstante ter sido superestimado no passado, o tabagismo além de ser considerado imprudente, é tido como politicamente incorreto na atual conjuntura social. Com razão, tal concepção faz-se justificável, sobretudo, ante os males que o cigarro provoca, não apenas para seus usuários, mas também para todo o resto, atingido direta, ou indiretamente por essa prática. Indubitavelmente, é preciso que algo seja feito para arrefecer o problema, visto que, consoante dados da Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios, da Pnad, cerca 781 mil brasileiros adoecem todos os anos em função do uso do tabaco.
Historicamente, bilhões de dólares foram faturados pela indústria tabagista ao longo do século passado, a qual foi fortemente impulsionada pelas diversas propagandas que construíam uma imagem do cigarro diretamente vinculada à elegância e positividade. De maneira análoga, principalmente entre os jovens, é possível comparar o poder do cigarro no século XX com o das redes sociais no XXI, já que muitos indivíduos deram início ao hábito de fumar devido a necessidade de interação social, isto é, ter a sensação de pertencimento a um grupo, com o compartilhavam dos mesmos hábitos. Contudo, sabe-se que pior do que um hábito, que é passível de ser alterado somente com o esforço, o tabagismo refere-se a uma dependência química. Logo, a “elegância” da prática transforma-se em um vício perigoso e de graves consequências.
Com efeito, é forçoso ainda destacar que, com as mais de 4700 substâncias tóxicas presentes em um único cigarro, o tabagismo resulta em muitas enfermidades, incluindo, além daquelas associadas ao pulmão, muitos outros tipos de cânceres, doenças cognitivas, cardiovasculares, etc. De modo consequente, para o tratamento dessas, são gastos 21 bilhões de reais anuais dos cofres públicos, o que se traduz em 14,7 bilhões de reais em prejuízo anual. Outrossim, tem-se a questão da poluição ambiental, a qual se arrasta desde o plantio de tabaco, decorrente do uso excessivo de agrotóxicos, até o consumo, no caso dos fumantes passivos, que ficam expostos a fumaça gerada por essa prática. Embora comprovadas as inúmeras nocividades do tabagismo, para a maioria dos fumantes é difícil se desvencilhar do vício. Isso porque, a nicotina, substância presente no tabaco, gera um sistema de recompensa cerebral, acarretando o vício.
Portanto, uma vez que é difícil libertar-se do cigarro, é prudente a tomada de ações no sentido de evitar que isso ocorra. Assim, seria conveniente que além do impedimento do fácil e barato acesso a esses produtos, por meio de um projeto de lei entregue à câmara, fossem realizadas mais campanhas de conscientização sobre o assunto. Quiçá, desse modo, o problema seria amenizado no Brasil.