Tabagismo no século XXI: problemas e consequências

Enviada em 03/08/2020

“O homem é a medida de todas as coisas.” Essa máxima, atribuída ao filósofo grego Protágoras, revela o protagonismo humano em que o indivíduo tem o poder de construir sua realidade e seus valores em sociedade. Nesse sentido, referente ao consumo do tabaco e de seus derivados, ocorre uma intrínseca identificação com a frase do pensador, pois os diversos entraves em torno desse processo vitimizam todo o corpo social. Dessa forma, os desafios são inúmeros e evidentes quanto aos problemas relacionados ao tabagismo no século XXI, principalmente quanto à herança histórica do hábito de fumar e de suas consequências.

Em primeira análise, convém frisar a exímia importância de destacar o tabagismo como uma doença crônica causada pela dependência física e psicológica à nicotina presentes nos produtos à base de tabaco. Sob essa perspectiva, segundo o sociólogo Pierre Bourdieu, a sociedade possui padrões que são impostos, naturalizados e posteriormente reproduzidos pelos indivíduos, de modo a verificar essa célebre máxima na influência da publicidade e dos meios de comunicação quanto ao consumo dos cigarros que se perpetuam até os dias atuais,haja vista que ela manipula psicologicamente os diferentes grupos, principalmente os jovens, os fazendo acreditar que quem fuma é socialmente aceito. Sendo assim, é árduo desmistificar uma fantasia e uma herança histórica de tantos anos.

Ademais, as consequências negativas desse hábito para a saúde dos indivíduos são inúmeras, tanto para quem fuma diretamente, como para os fumantes passivos que inalam a fumaça dos derivados do tabaco em ambientes fechados.Nesse contexto, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, o uso do tabaco é considerado a maior causa de adoecimentos e mortes precoces em todo o mundo. Sob essa ótica, tal utilização ocasiona diversas consequências para o desenvolvimento de diferentes tipos de câncer, como a leucemia mieloide, o câncer de pâncreas,de bexiga, além de estar associado às doenças crônicas não transmissíveis, tais como a tuberculose, a úlcera gastrintestinal entre outras.

Portanto, faz-se necessária a realização de medidas atenuantes. Assim, cabe ao Ministério da Saúde, com o apoio dos setores midiáticos, o papel de difundir campanhas publicitárias, com intuito de informar a população sobre os malefícios do hábito de fumar, bem como documentários com a finalidade de desconstruir a herança histórica dessa prática e desnaturalizá-la entre os jovens, por meio de plataformas de ampla visibilidade, de modo a levar esse conhecimento para os que não possuem o acesso necessário, além de possibilitar que os profissionais da saúde incentivem nesses canais de comunicação, dando credibilidade nas informações, para que haja uma ampla mobilização,a fim de diminuir a taxa de fumantes do corpo civil brasileiro.