Tabagismo no século XXI: problemas e consequências

Enviada em 02/08/2020

No filme brasileiro “É proibido fumar” é retratada a história de Baby, mulher de classe média decaída, que fuma compulsivamente. De forma análoga, a narrativa mostra uma problemática presente no cotidiano brasileiro: o tabagismo. Tal doença promove uma série de transtornos a saúde dos indivíduos, sendo, portanto, um grave problema de saúde pública. Sem dúvidas, a saga do tabagismo se sustenta na sociedade, ora pela falha em fiscalizar o marketing em torno do cigarro, ora pelas políticas de saúde negligenciadas.

Inicialmente, cabe analisar a persistência do tabagismo na sociedade como fruto de um marketing ausente de fiscalização. Desse modo, a “indústria do cigarro” utiliza o tabaco como um importante “capital simbólico”. Essa terminologia, do filósofo Pierre Bourdieu, representa uma forma de causar reconhecimento, honra e prestígio e por meio do qual é possível persuadir os indivíduos. Basta ver, na “era de ouro do tabaco”, quando figuras de conhecimento mundial usavam e abusavam do cigarro nos cinemas hollywoodianos. Assim, notadamente, por meio de imagens e criação de estereótipos normatiza-se a prática do fumo como algo comum e habitual. Isso porque, nota-se uma falha nas regulamentações estatais dos instrumento que influenciam esse vício, seja pela fiscalização ausente, seja pelo abrandamento das penalidades.

Outrossim, o sucateamento de investimentos na saúde na forma de políticas e ações contra o tabagismo, também, alimenta a problemática. Desse modo, mesmo previsto na Constituição Federal de 1988 o direito a saúde e Organização Mundial da Saúde assegurando que o tabagismo é um “hábito mortal”, a negligência no campo da saúde é notória. Tal leniência faz com que os indivíduos não iniciem um efetivo tratamento de reabilitação, que além de ferir um direito social, ficam sujeitos a outros problemas de saúde e a uma vida de morbidade.

Por isso tudo, ações a fim de combater o tabagismo são necessárias. Desse modo, cabe ao Governo, mediante um programa específico, realizar o controle de marketing da indústria do cigarro e vetar aquelas com conteúdo influenciador e temático, como também, promover penalidades mais severas. Por outro lado, cabe ao Ministério da Saúde, a implementação de um programa de reabilitação e prevenção do tabagismo, através da criação de oficinas, atividades, psicoterapias, que promovam um tratamento e evite o retorno ao vício. Finalmente, faz-se necessário massificar campanhas de conscientização e combate ao tabagismo.