Tabagismo no século XXI: problemas e consequências

Enviada em 02/08/2020

A Organização Mundial da Saúde reconhece o tabagismo como uma doença crônica causada pela dependência à nicotina, substância presente nos cigarros. Além disso, ele também é considerado a maior causa - isolada - evitável de adoecimento e morte. Mesmo com todo o conhecimento científico sobre seus perigos, a comercialização desse produto segue causando prejuízos econômicos em diversos países e consequências relacionadas à saúde da população.

Para a compreensão do debate, é imperativo abordar o problema de a indústria do tabaco negligenciar os custos atribuídos às doenças causadas por seu produto, como o câncer, as doenças cardíacas e as respiratórias. O Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas declarou que o consumo de produtos de tabaco custa anualmente até 2% do Produto Interno Bruto em todo mundo. No Brasil, um estudo realizado pela Fundação Oswaldo Cruz revelou que o tabagismo gerou, de maneira direta e indireta, custos para assistência médica em quase 57 bilhões de reais. Em contrapartida, a arrecadação fiscal oriunda dessas indústrias é de 13 bilhões de reais. Dessa maneira, o montante de impostos não é o suficiente para cobrir nem metade dos custos médicos e quem arca com o prejuízo é a população, mesmo a não fumante.

Sob esse viés, os fabricantes de cigarro ignoram que seu comércio resulta em mortos e internados e dão continuidade a esse sistema lucrativo. A OMS aponta que o tabaco mata mais de 8 milhões de pessoas por ano. Toda essa letalidade se deve às mais de quatro mil substâncias tóxicas contidas na fumaça do cigarro, que são mascaradas com o uso de aromatizantes. Tais ingredientes possuem um apelo significativo para as pessoas que estão começando a fumar, pois, ao disfarçar o sabor do produto com outros mais agradáveis, como chocolate e baunilha, a iniciação de um novo fumante é mais fácil. Em outras palavras, além da indústria do tabaco não arcar com os danos econômicos - na área da saúde - que causam a população, elas possuem estratégias que garantem que sua mercadoria continue sendo usada. É um ciclo vicioso e os únicos que se beneficiam são os empresários.

Conclui-se, portanto, que o tabagismo é um problema global com devastadoras consequências sanitárias e econômicas, que requer uma intervenção Estatal capaz de solucionar suas mazelas. Cabe, então, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária e ao Ministério da Saúde a adoção de medidas como a proibição de substâncias que tornem o sabor do cigarro mais agradável, para que o número de novos usuários seja decrescente, além de um projeto junto ao Ministério da Economia que vise aumentar a tributação dos cigarros, de maneira que a indústria arque com os danos que causa. Essas medidas são necessárias para que o direito à saúde pública se torne uma prioridade.