Tabagismo no século XXI: problemas e consequências

Enviada em 02/08/2020

No século XVII, o rei inglês James I teceu uma dura crítica ao tabagismo, o qual evidenciou: “Fumar é um costume repulsivo para os olhos, detestável para o olfato, daninho para o cérebro, perigoso para os pulmões”. Embora, suas palavras fossem um alerta para os malefícios do uso do tabaco, ele foi ignorado por aquela sociedade e, também, pelos séculos posteriores, pois na década de cinquenta, os tabagistas eram considerados poderosos, ao ponto que o produto tinha o papel de posição social. Diante desse cenário, no Brasil contemporâneo, é notório que o tabagismo perdeu o significado de ascensão, uma vez que o problema é enfrentado, principalmente, pela população pobre, aliado ao déficit de conhecimento, o qual gera a consequência de doenças precoces e improdutividade no mercado.

Decerto, é sabido que a educação têm o poder de transformação do ser humano. Consoante a isso, a Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquéritos Telefônico realizou um estudo, no ano de 2016, a respeito do hábito de fumar e a sua permanência na parcela dos indivíduos com menos escolaridade, pois essas pessoas não conhecem as consequências dessa prática. Nesse sentindo, é visível que a forma como esse assunto é abordado nas escolas não surtem efeito necessário nos alunos, muito menos nas famílias, visto que a falta de informações relevantes inviabilizam os conhecimentos sobre os malefícios e, por consequência, o tratamento adequado desse vício, logo, perpetua o uso indiscriminado do tabaco, em pleno século XXI.

Outrossim, a correlação da pobreza com o tabagismo é uma grande preocupação da Organização Mundial da Saúde. Dessarte, a campanha da OMS intitulou como um círculo vicioso essa concomitância, por conta que o fumo é o principal fator de risco para doenças, patologias ligadas aos cânceres, e, consequentemente, a improdutividade no campo de serviços. Pontuado isso, fica claro que os tabagistas com a saúde fragilizada não conseguem manter uma situação financeira estável, o qual intensifica a vulnerabilidade social dessas pessoas.

Portanto, é imprescindível medidas que promovam a superação da carência de informações voltadas ao tabagismo. Cabe ao Ministério da Educação, órgão responsável por todo sistema educacional, fundamentar o material didático sobre as consequências do uso do tabaco e os meios de tratamentos, por meio da convocação de profissionais da educação para redigi-lo, de forma clara. Como efeito social, essa medida deve instigar nos alunos o juízo de valor a respeito dessa problemática, além, de proporcionar a transmissão dos conhecimentos aos familiares que não tiveram a oportunidade de ensino. Somente assim, o que James I declarou não será ignorado por mais um século.