Tabagismo no século XXI: problemas e consequências

Enviada em 14/08/2020

“O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles”. Essa afirmação da filósofa existencialista Simone de Beauvoir pode servir de metáfora à questão do tabagismo no século atual, visto que por mais escandalosa que seja a situação, poucos são os reforços destinados para resolvê-la. Diante disso, indubitavelmente, tal conjuntura advém tanto da herança histórica relacionada ao uso do tabaco quanto da negligência do Estado.

A princípio, vale ressaltar que o hábito de fumar naturalizou-se entre as civilizações, tornando-se algo comum do cotidiano das pessoas. Segundo o filósofo Hippolyte Taine, o homem é produto do meio, da raça e do momento histórico em que vive. Por conseguinte, tende a replicar padrões enraizados na sociedade e que são transmitidos de geração em geração, exemplo disso, é o de fumar. Dessa forma, como esse costume foi sempre valorizado como sinônimo de glamour e poder - principalmente no século XX, com a indústria cinematográfica - os indivíduos são estimulados a experimentar e consequentemente a se tornar consumidores, devido ao auto poder de vício da nicotina. Em decorrência, ocorre a manutenção da problemática, uma vez que as substâncias liberadas na fumaça do fumo além de serem tóxicas, causam abstinência, tornando-o o indivíduo viciado e dependente.

Além disso, destaca-se o descaso do Estado como agravante desse problema. Sob esse viés, o sociólogo alemão Dahrendorf, no livro “A lei e a ordem”, afirmou que a anomia é a condição na qual as normas reguladoras do comportamento das pessoas perdem sua validade. De maneira análoga a esse pensamento, nota-se que as leis que possibilitam a punição de pessoas as quais fumam em locais totalmente ou parcialmente fechados, por exemplo, a Lei Antifumo, encontram-se em estado de anomia, pelo fato de serem infringidas, por vezes, sem qualquer punição ao infrator. Consequentemente, prejudicando a saúde de cidadãos não fumantes.

Portanto, é mister que o Estado tome medidas para amenizar o quadro atual. Urge que o Ministério da Saúde se una ao Ministério das Comunicações e realize propagandas, através de verbas governamentais, com pneumologistas e neurologistas os quais falarão sobre os danos respiratórios e neurológicos causados pelo tabagismo com a finalidade de tornar a população ciente da problemática e desnaturalizar o fumo. Também, é necessário que os poderes Legislativo e Executivo, por meio de discussões, votações e julgamentos, tratem da criação e adequada execução das legislações as quais punam indivíduos que fumam em lugares não abertos e desobedeçam essas leis com o intuito de combater o estado de anomia da lei. Somente assim, será possível finalizar o escândalo do tabagismo.