Tabagismo no século XXI: problemas e consequências

Enviada em 31/07/2020

Para o filósofo Jean-Paul Sartre, o ser humano é livre e responsável; cabe a ele escolher seu modo de agir. Essa visão embora correta, infelizmente, não abrange todo o hodierno cenário global, sobretudo no Brasil, posto que há dificuldade em controlar os problemas e as consequências causadas pelo tabagismo, reduzindo assim as opções de escolha dos indivíduos. Isso ocorre, tanto em função da desigualdade social, como também pela inação das esferas governamentais para conter esse dilema. Diante disso, é imprescindível conhecer e discutir os diversos estigmas dessa problemática, na propensão de solucioná-la.

Em primeiro lugar, é válido reconhecer como esse panorama supracitado é capaz de limitar a própria cidadania do indivíduo. Acerca disso, é pertinente trazer o discurso do filósofo Jürgen Habermas, no qual ele conceitua a ação comunicativa: esta consiste na capacidade de uma pessoa em defender seus interesses e demonstrar o que acha melhor para a comunidade, que demanda ampla informatividade prévia. Assim, sabendo que a cidadania consiste na luta pelo bem-estar social, caso os sujeitos não possuam um pleno conhecimento da realidade na qual estão inseridos e de como seu próximo pode desfrutar do bem comum – Já que não estão completamente cientes do mal que é causado pelo tabagismo ou não recebe apoio que impulsione um estilo de vida diferente –, eles serão incapazes de assumir plena defesa pelo coletivo. Logo, o costume do tabagismo e influência que é passada de geração em geração não pode ser aceita em nome do combate, também, ao individualismo e zelo pelo bem grupal.

Ademais, o controle de dados impulsiona na indústria cultural, teoria criada pelos sociólogos Adorno e Horkheimer. Segundo esta, a cultura de determinado local é substituída por uma que se sobressai, fenômeno intensificado pela concentração de renda (manipulada por autoridades governamentais que, segundo a Organização das Nações Unidas, o Brasil tem a 2ª maior concentração de renda do mundo) uma vez que os elementos da cultura a ser difundida são vinculados aos que têm mais poder de voz. Isso causa perda de identidade dos povos, que os leva ao apego a hábitos viciosos, como o de fumar, na tentativa de sentir-se melhor emocionalmente.

Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. O Ministério da Saúde, em conjunto com o Sistema Único de Saúde (SUS), devem propor a criação de postos clínicos em todas cidades brasileiras, com atendimento médico e psicólogo, por meio de um projeto de lei entregue à Câmara dos Deputados. Tais unidades têm como finalidade garantir apoio gratuito aos que necessitam de auxílio para combater o tabagismo e servirá para garantir hábitos mais saudáveis para os mesmos.