Tabagismo no século XXI: problemas e consequências

Enviada em 31/07/2020

Na série britânica “Peaky Blinders”, contextualizada no início do século XX, retrata uma sociedade na qual o ato de fumar é visto como glamour e é normalizada pela agremiação. Fora da ficção, é fato que a realidade apresentada no drama pode ser relacionada ao tabagismo no mundo pós-moderno, pois com  a ascensão de novos meios de utilização de substâncias tóxicas acarretam em novos dependentes químicos, desse modo, inúmeras doenças e descaso governamental são explícitos. Nesse sentido, é improrrogável que medidas sejam tomadas para atenuar esse impasse.

A priori, é importante destacar que os fumantes têm maiores chances de desenvolver problemas de saúde, pois as toxinas presentes nos cigarros, charutos, narguilés, cannabis e afins, deturpam o sistema biológico humano. No entanto, nota-se, no seriado “Peaky Blinders”, a cultura de fumar é visto por alguns setores da sociedade como forma de “status”, o que corrobora para o vício. Segundo o sociólogo francês Pierre Bordieu, na Teoria do Habitus, afirma que a sociedade possui padrões que são impostos, naturalizados e, posteriormente, reproduzidos pelos indivíduos. Assim, é inaceitável que, em pleno terceiro milênio, tal problemática seja pertinente, uma vez que o uso do tabaco mata 7 milhões de pessoas, anualmente, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde.

Em segundo plano, é evidente o potencial de morte pelo tabagismo e, consequentemente, os problemas causados por ele, por exemplo, doenças pulmonares obstrutiva crônica que gera mais de 300 mil casos, todos os anos, no Brasil, em conformidade com dados do Instituto Nacional de Câncer. Nesse sentido, foi instaurada a Lei Antifumo nº 12.546/2011 que proíbe o uso de entorpecentes em locais de uso coletivo, públicos ou privados. Contudo, na sociedade hodierna, essa lei não é efetiva, haja vista o grande número de fumantes que prejudicam a sua saúde e a do próximo por um simples prazer imediatista. Posto isso, faz-se mister a tomada de políticas públicas com o intuito de mitigar novos “Peaky Blinders”.

É possível defender, portanto, que esses impasses sociais constituem desafios a superar. Para tanto, é dever do Ministério da Educação oferecer ensino sobre os problemas que o tabagismo pode causar ao corpo humano, através de palestras em escolas da rede privada e pública, mediadas por profissionais da saúde, com o intuito de preservar os jovens brasileiros do tabaco. Ademais, a mídia, associada a ONGs, deve alertar à população adulta sobre as mazelas do fumo e que tal prática deve ser abolida, por meio de campanhas educativas. Isso pode ocorrer com a realização de narrativas ficcionais engajadas, como novelas e seriados, e reportagens que tratem do tema, a fim de extinguir o vício. Dessa forma, será possível efetivar a Lei Antifumo, juntamente com o pensamento de Bordieu.