Tabagismo no século XXI: problemas e consequências

Enviada em 07/08/2020

Um dos protagonistas da obra literária “A Culpa é das Estrelas” sempre carregava consigo um cigarro, mas nunca o fumava. Ao ser indagado a respeito, ele responde que faz isso para ter um pouco de controle sobre a vida. Afinal, ele tinha em suas mãos um item que pode causar à morte, mas nunca deu esse poder ao objeto. Infelizmente, fora desse mundo criado por John Green e em contexto brasileiro, não são todos que tem a consciência dos males que o tabagismo pode causar. Certamente, isso é resultado da popularização do tabaco no cinema, e do Estado que não consegue promover uma conscientização e prevenção eficaz.

Antes de tudo vale ressaltar que na história sempre houve a tentativa de inserir pensamentos e hábitos maléficos na sociedade por meio de propagandas. Durante o período entre guerras, por exemplo, para consolidar a intolerância aos que não eram arianos, Adolf Hitler implantou em todos os meios de comunicação formas de induzir as pessoas ao nazismo. De maneira semelhante, nos anos setenta, a indústria do tabaco entrou nos cinemas de forma marcante. Os personagens importantes dos filmes, que tinham estilo e status social, fumavam e isso influenciou as pessoas a começarem esse vício.

No entanto, fora do imaginário que prestigia o tabaco, as consequências de tal composto são profundas. Em um dos capítulos do livro “Estação Carandiru”, o renomado médico Dráuzio Varella relata a um de seus pacientes, no presídio em que atendia, os efeitos do cigarro.  Ao tragar a fumaça, o calor da combustão queima os cílios dos brônquios, destrói os alvéolos pulmonares, fundamental para as trocas gasosas e aumenta a pressão sanguínea. Assim, pode resultar em problemas cardíacos e desenvolver câncer em diversos órgãos, como no estômago e nos pulmões . Além do mais, prejudica a saúde dos que estão no mesmo ambiente, pois esses se tornam fumantes passivos ao receberem as toxinas involuntariamente.

Percebe-se, portanto, que medidas são necessárias para diminuir o número de fumistas. É necessário que o Instituto Nacional do Câncer, pertencente ao Ministério da Saúde, promova uma campanha que informe as resultâncias e incentive o abandono do tabagismo. Essas medidas ocorreriam por meio de palestras, ministradas por profissionais da saúde, na escolas e comerciais com linguagem acessível na televisão. Ademais, essas publicidades teriam um enfoque na desconstrução da imagem criada pelos cinemas e na enumeração dos métodos e benefícios de se parar com essa dependência. Sendo assim, o corpo social, aos poucos, estaria repleto de indivíduos com a mentalidade de um dos protagonistas de “A Culpa é das Estrelas” e se tornariam mais saudáveis.