Tabagismo no século XXI: problemas e consequências
Enviada em 26/07/2020
O sociólogo Durkheim alegava que a consciência coletiva é imprescindível à coesão social. Nessa perspectiva, a falta de empatia com o próximo, inerente às consternações, às quais dificultam o combate ao tabagismo, interfere nas relações sociais e no bem-estar comum. Isso se deve, sobretudo, a falta de fiscalizações a fim de limitar o comércio ilegal do cigarro, bem como à carência das discussões sobre a temática no meio intrafamiliar. Essa circunstância demanda uma atuação mais arrojada entre o Estado e as instituições formadoras de opinião, com o fito de superar tais mazelas.
Convém ressaltar, a princípio, que a questão estatal e sua aplicação contribuem para potencializar o problema. Nesse ínterim, de acordo com Aristóteles, o exercício político tem por objetivo promover o bem-estar dos cidadãos. Sob esse viés, denota-se mormente, a grande liberdade para adquirir os fumos no mercado, haja vista não haver, com eficácia, uma legislação a qual impeça a comercialização ilegal do tabaco, tampouco uma monitoração efetiva para o livre-comércio, principalmente aos indivíduos na minoridade. Tal cenário comprova-se por dados do INCA (Instituto Nacional de Câncer), o qual afirma que 80% dos tabagistas começam a fumar antes dos 19 anos. Com efeito, essa conjuntura corrobora para a marginalização social dos indivíduos, em virtude de provocar problemas de saúde precoce, a exemplo do câncer de pulmão, fato que agrava o evento.
Cabe salientar, outrossim, a conformidade de tal contexto com a premissa do professor Zygmunt Bauman, o qual evidencia a modernidade líquida a partir da fluidez nas relações do cotidiano. Sob esse prisma, a existência massiva de famílias desorganizadas está sensivelmente ligada ao dilema do tabagismo. A situação em voga relaciona-se por insuficientes diálogos acerca do consumo do tabaco, a considerar, muitas vezes a discussão em grupo desnecessária, ou inclusive, deterem a prática de adesão ao fumo. Isso posto, percebe-se a coerência da teoria bauniana ao assegurar a ausência de empatia, intensificada, de fato, a partir da fragilidade dos vínculos intrafamiliares, como fator acentuado do uso em excesso da nicotina, o que, por sua vez, gera a dependência ao produto.
Urge, portanto, que, diante da realidade nefasta do tabaquismo, a necessidade de uma intervenção se faz imediata. Para tanto, cabe ao poder público, em sinergia com o Ministério da Justiça,elaborar um programa de monitoramento dos estabelecimentos que comercializam o tabaco, com a implantação de leis mais rígidas e a introdução de escolta policial nos comércios, no intuito de impedir o livre-mercado dos cigarros e a punição severa dos infratores. Ademais, compete à família, realizar um debate sobre o assunto, a fim de fomentar uma mentalidade consciente a respeito da prevenção e das consequências da prática em questão. Destarte, a coesão proposta por Durkheim será efetivada.