Tabagismo no século XXI: problemas e consequências
Enviada em 26/07/2020
A fase realista do escritor Machado de Assis foi caracterizada por obras que teciam críticas irônicas aos costumes e compulsões humanas. Embora ficcionais, alguns de seus romances e contos tratam de problemáticas indissociáveis da realidade, como comportamentos viciosos, a exemplo do tabagismo, massivamente presente na hodierna sociedade brasileira. Assim, é lícito inferir que a negligência governamental e passividade midiática – oriunda da mentalidade individualista de parte do empresariado – são agentes perpetuadores do danoso cenário.
A priori, é fulcral perceber como a insuficiência estatal colabora com a persistência do tabagismo no Brasil. Nessa perspectiva, conforme o sociólogo francês Émile Durkheim, em uma sociedade não “anômica”, as instituições conseguem exercer plenamente seu poder de mitigação de problemas sociais. Entretanto, a carência de políticas públicas, manifestada na ausência de uma legislação restritiva que preconize a redução da produção e consumo do tabaco em solo nacional contribui para a banalização do uso da substância e a ampliação de sua acessibilidade. Desse modo, a irresponsabilidade do Estado leva o país à condição de “anomia”, proposta por Durkheim.
Outrossim, cabe ressaltar o papel da mídia no que concerne à modelagem do comportamento da massa. Isso porque, de acordo com a perspectiva marxista, o capitalismo cria mecanismos de alienação da população por meio da supressão do acesso informacional. Analogamente, a escassez de peças publicitárias com dados acerca das consequências do hábito de fumar – resultado da priorização de interesses econômicos empresariais em detrimento do bem-estar coletivo – torna a população alheia aos riscos do nocivo panorama. Por conseguinte, a ignorância das camadas populares sobre os graves impactos sociais e ambientais inibe uma postura consciente e responsável diante do óbice.
Portanto, urge que o Governo Federal, em parceria com o Ministério das comunicações, crie a campanha “Todos Contra o Tabagismo”, a qual deverá divulgar informações gerais sobre o vício, maneiras de concretizar sua eliminação e seus efeitos. Nesse sentido, tal proposta deve ser efetivada por intermédio de propagandas, como vídeos, cartazes e infográficos, que devem ser veiculadas nas principais plataformas de comunicação – especialmente nas redes sociais, em virtude de seu vasto alcance – a fim de reduzir o consumo irrestrito de fumo, instruir e advertir os usuários sobre os malefícios fisiológicos da prática. Feito isso, o ideal de Durkheim poderá, enfim, ser convertido em realidade.