Tabagismo no século XXI: problemas e consequências

Enviada em 22/07/2020

Segundo Émille Durkheim, a sociedade funciona como um organismo biológico. A partir disso, interpreta-se que se uma célula (indivíduo) for afetada, todo o organismo (sociedade) poderá sofrer consequências, e é exatamente essa a situação enfrentada por vários países em relação ao tabagismo, um dos problemas mundiais mais graves do século XXI, especialmente no Brasil. Sob tal ótica, ver-se que o individualismo presente na sociedade e o descaso estatal revelam-se como agravantes para essa problemática. Diante desse panorama defectivo, urge sua necessidade por retificação.

A princípio, é imperioso avaliar como a inação governamental contribui para tal adversidade. A Magna Carta de 1988 garante a construção de uma sociedade livre, justa e solidária, no entanto, é factual que o poder executivo não efetiva essa prerrogativa. Isso é comprovado quando se vê que há falta de medidas efetivas quanto ao apoio no tratamento dos fumantes e  haja vista que a disponibilização de consultas gratuitas com psiquiatras e psicólogos é escassa. Essa conjuntura, de acordo com o contratualista Thomas Hobbes, configura-se como “violação do contrato social”, visto que, segundo o autor, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população. Assim, cabe ao Governo um plano para atenuar essa situação.

Sob outro prisma, cabe pontuar também que o individualismo presente na sociedade colabora para a continuidade de uso do tabaco por muitos no Brasil. Nesse viés, a filósofa alemã Hannah Arendt criou o conceito de ‘‘responsabilidade coletiva’’, em que todos os indivíduos em uma comunidade são coletivamente responsáveis pelo que o Estado faz ou não em seus nomes. Nesse âmbito, percebe-se que os brasileiros não estão exercendo bem esse seu dever, uma vez que o tecido social permanece estático diante de problemas socioculturais como esse. Dessarte, fica evidente que uma mudança no pensamento do corpo social brasileiro é fundamental, tendo em vista que o homem deve zelar pelo bem coletivo em detrimento do individual, uma vez que ele está articulado em uma comunidade.

Infere-se, portanto, que há entraves para que seja erradicado o tabagismo na contemporaneidade brasileira . Assim, cabe ao Ministério da Educação – ramo estatal responsável pela formação civil - criar um projeto para ser desenvolvido nas escolas. Isso pode ser feito por meio da abordagem da temática, desde o ensino fundamental com palestras, atividades lúdicas e artísticas adaptadas à faixa etária, tal ação objetiva que a comunidade escolar e a sociedade no geral – por conseguinte – sensibilizem-se. Por fim, é imprescindível que a comunidade tupiniquim exija do poder público a concretude dos princípios constitucionais. Quiçá, assim, tal hiato reverter-se-á sobretudo na perspectiva do Brasil.