Tabagismo no século XXI: problemas e consequências

Enviada em 20/07/2020

“O pior mal é aquele visto como cotidiano”. A máxima da filósofa alemã Hannah Arendt aponta, de acordo com seus estudos, a indiferença da sociedade frente a certas questões. Nesse contexto, destaca-se o necessário combate ao tabagismo, que influencia o comportamento da população e gera prejuízos na saúde de fumantes e não fumantes, sendo esse um problema que está diretamente relacionado à realidade do país, seja pela negligência da governamental, seja pela indiferença social.

A princípio é incontestável que a inoperância governamental esteja entre as causas do problema. Poucas são as políticas públicas que garantem que não fumantes evitem as consequências ocasionadas pelo cigarro alheio. Nesse prisma, de acordo com o filósofo John Locke, configura-se uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função constitucional de proporcionar o direito à saúde para população. De certo, mesmo existindo a Lei Antifumo, que proíbe o uso de cigarros em locais fechados, a falta de fiscalização, torna a população refém da conscientização individual de cada fumante, o que nem sempre ocorre.

Outrossim, destaca-se a cultura da ignorância perpetuada por parte da sociedade, que, muitas vezes, devido ao senso comum, não entende os malefícios que as toxinas presentes nos cigarros trazem para a saúde, seja ele comum ou eletrônico. Isso é concordante com o pensamento de A. Schopenhauer de que os limites do campo da visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo que a cerca. Tal fato pode ser observado no comportamento dos jovens que, segundo reportagem veiculada no jornal G1, em 2019, tem utilizado mais o cigarro eletrônico, por pensarem ser menos prejudicial.

Diante desse cenário, é notório que o problema crescente do tabagismo é consequência da ingerência governamental aliado ao comportamento da população. Logo, o Estado deve intensificar a fiscalização do cumprimento da Lei Antifumo, por meio de blitzes da vigilância sanitária em bares e restaurantes, a fim de conscientizar a população e os donos de estabelecimentos sobre suas obrigações, sendo isso necessário para promover melhor qualidade de vida para a população. Além disso, palestras devem ser realizadas para educar a sociedade sobre os malefícios do fumo, para que, gradativamente , esse imbróglio deixe de ser indiferente para a sociedade conforme o pensamento de Hannah Arendt.