Tabagismo no século XXI: problemas e consequências
Enviada em 13/07/2020
No poema “Tabacaria” de Fernando Pessoa, o trecho “saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos” evidencia a sensação de bem-estar, relaxamento e prazer relacionada ao hábito de fumar pelos seus praticantes. Outrossim, verifica-se que a popularização do cigarro ocorreu nos anos 20 e aparecia em filmes de Hollywood como símbolo de rebeldia e glamour. No entanto, fumar é extremamente prejudicial ao organismo dos indivíduos e pode ocasionar danos irreversíveis para a vida do fumante. Logo, são necessárias medidas para combater o tabagismo na comunidade.
Em primeiro lugar, constata-se que o uso do cigarro traz consequências para diversas áreas da sociedade. Segundo dados do Ministério da Saúde e o Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva, o consumo de cigarros e outros derivados causa um prejuízo de R$ 56,9 bilhões ao país a cada ano. Além da oneração do orçamento estatal, o uso desse produto, assim como, a exposição frequente à fumaça por ele produzida, propicia o desenvolvimento de doenças respiratórias, cardiovasculares e cancerígenas, sendo responsável por cerca de 200 mil mortes por ano, conforme a Fundação Oswaldo Cruz, no Brasil. Diante disso, o tabagismo ainda provoca a sobrecarga do Sistema Único de Saúde. Nesse sentido, essa situação precisa ser revertida.
Em segundo lugar, averigua-se que três são os principais desafios para o enfrentamento ao hábito de fumar: glamourização do cigarro, público alvo das campanhas contra a prática do tabagismo e a tendência a outros vícios proporcionada pelo cigarro. O primeiro deles incentiva a utilização do tabaco e a construção desse hábito prejudicial à saúde. Já o segundo, caracteriza-se pela falha em destinar campanhas de conscientização apenas para o público jovem, enquanto a maior concentração está na faixa etária entre 45 e 64 anos, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Por último, verifica-se que a constituição de carácter viciante, presente nos cigarros, apresentam-se como incentivo para o uso de outras substâncias entorpecentes e ilegais. Nessa perspectiva, essa quadro precisa ser alterado.
Portanto, urge que o combate ao consumo do cigarro seja garantido na prática efetiva. Cabe ao Ministério da Saúde essa função, por intermédio da criação de campanhas de conscientização que evidenciam para a população os riscos dessa prática e de projetos sociais que auxiliem fumantes atualmente ativos, através de grupos de terapia e acompanhamento psicológico à interromper aos poucos esse hábito; com o auxílio das Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde para a realização dessas ações em todas as regiões do país. Essas medidas, caso feitas em conjunto, podem amenizar os impactos causados pelo tabagismo no país e impedir futuros prejuízos.