Tabagismo no século XXI: problemas e consequências

Enviada em 18/05/2020

Na série televisiva austríaca “Freud”, produzida pela Netflix, é retratado o tabagismo durante o século XIX, em que o ato de fumar era considerado como um padrão de elegância e restrito aos indivíduos influentes. Fora da ficção, no Brasil contemporâneo, percebe-se que o consumo de nicotina persiste, o qual, infelizmente, tornou-se acessível para outras classes sociais – como as que possuem menor poder aquisitivo. Nesse sentido, tem-se que esse cenário antagônico é fruto tanto da influência midiática, quanto da negligência governamental.    Em primeiro plano, é imperativo pontuar a capacidade de manipulação da mídia como um fator determinante para a intensificação da problemática. Nessa linha de raciocínio, pode-se mencionar o funk denominado “Vai Luan”, publicado no Youtube, que diz: “Fuma um e curte a onda”. Analogamente, no território tupiniquim, nota-se que grande parte das músicas hodiernas estimulam o tabagismo, já que apresentam referências que induzem o ouvinte ao consumo dessa substância prejudicial à saúde - como, por exemplo, divulgando apenas as sensações de bem-estar - , o que por sua vez contribui para os altos índices de consumo. É inadmissível, pois, que essas obras continuem incitando o uso de nicotina.   Em segundo plano, é imperioso salientar a ineficiência estatal como uma das principais causas do empecilho. Segundo o filósofo espanhol Adolfo Vázquez, em um de seus discursos, “o aumento da frequência de um evento ocasiona sua naturalização”. Harmonicamente com esse pensamento, evidencia-se o descaso do Governo para com os cidadãos brasileiros, uma vez que ele – responsável por promover o bem-estar social – permitiu que esse ato fosse naturalizado pelo território, o que ocasionou, dessa forma, grande quantidade de pessoas praticando-o e, consequentemente, diversos tipos de doenças, que custam um elevado valor aos cofres públicos. Ora, se um Estado se omite diante de uma questão tão importante, entende-se, assim, o porquê de sua continuação.    Infere-se, portanto, que ainda há entraves para a construção de políticas que visem à um Brasil melhor. Para tanto, urge que o Governo Federal – órgão que visa à garantia do bem-estar social -, em sinergia com o Ministério da Saúde, promova campanhas socioeducativas, por meio de debates, seminários e palestras, as quais devem ser trabalhadas em todas as escolas do Brasil, em que se aborde a questão do combate ao tabagismo. Espera-se, com essa medida, garantir com que os cidadãos entendam os malefícios que essa prática pode ocasionar. Dessa maneira, garantir-se-á a amenização desse entrave e, distanciando-se do visto na série, seguir rumo ao progresso social.