Tabagismo no século XXI: problemas e consequências

Enviada em 03/05/2020

Em sua canção “Autobiografia Parte 3”, o rapper brasileiro MC Sid discorre sobre suas experiências com as drogas, com a rua e, sobretudo, com o cigarro, ressaltando que começara a fumar aos treze anos de idade. De maneira análoga, hoje, a leitura introspectiva de Sid sugere uma conjuntura tortuosa a respeito do tabagismo no Brasil: o contato precoce dos jovens com essa prática. Nesse contexto, aponta-se o incentivo da indústria do entretenimento como a principal causa desse quadro, o qual incita a prejudicial dependência à nicotina.

De início, afirma-se que os conteúdos audiovisuais contemporâneos sobredouram o tabagismo e despertam um ímpeto nos telespectadores jovens. Qual seja, nas produções, por exemplo, da indústria cinematográfica, usa-se, muitas vezes, o cigarro como um trejeito de algum personagem, o que é, comumente, romantizado e provoca uma necessidade nos interlocutores: assemelharem-se a tais personagens. Evidência disso é a série da Netflix “Peaky Blinders”, na qual se põe em voga um cenário repleto por dependentes químicos da nicotina, o que é envelopado pelo seriado, tolhendo os malefícios do tabagismo e levando uma geração a adaptar tal prática às suas vidas.

Por conseguinte, enquanto esse panorama perdurar, observa-se uma parcela populacional que é incapaz de se desvencilhar do vício ao cigarro. Para depreender isso, vale evocar o historiador Johan Huizinga e seu livro “Homo Ludens”. Nele, o autor holandês apresenta uma óptica ubíqua aos seres humanos, a qual aponta uma tendência da espécie em se ancorar no lúdico, isto é, no que fomenta sensações que perpassam o real. Nesse prisma, haja vista a dependência química da nicotina - principal constituinte do cigarro -, os indivíduos, ao experienciar os efeitos relaxantes de tal, tendem a se respaldarem no consumo dessa droga, na medida em que a natureza lúdica sobrepõe-se ao racional e corrobora a solidificação do tabagismo.

Portanto, visto a intempestividade da problemática, infere-se a imperiosidade sob a dissolução dessa prática mormente aos jovens. Para tanto, compete ao Ministério da Saúde, órgão do Governo capaz de deliberar acerca da saúde, o dever de, por meio da elaboração de políticas públicas, criar um programa estatal que reprima, nas mídias brasileiras, a transmissão de conteúdos que se relacionam com o tabagismo e que resgate aqueles que, hoje, encontram-se presos pela dependência ao cigarro, a fim de ver uma sociedade distante do que Huizinga preconizara. Desse modo, notar-se-ia uma população de jovens que dissona da letra de Sid ao não ter contato com a nefasta prática do tabagismo.