Tabagismo no século XXI: problemas e consequências

Enviada em 30/10/2019

A Organização Mundial da Saúde define o tabagismo como uma das principais doenças crônicas desenvolvidas no mundo contemporâneo. Sua prática compromete a circulação de oxigênio no sangue na medida em que o monóxido de carbono da fumaça inalada tem maior afinidade química com as oxiemoglobinas - responsáveis pelo transporte de oxigênio no sangue - e, então, a função respiratória e cardíaca é posta em risco. Paralelamente, o ato de fumar é um dos fatores causadores da deterioração do sistema público de saúde no que tange às lotações e precariedade do serviço oferecido, problemas e consequências essas que necessitam ser reavaliadas.

Em primeiro plano, é válido ressaltar o protagonismo do ato de fumar no aumento dos problemas circulatórios e cardiovasculares. Tal cenário é ilustrado pelo excesso de substâncias químicas no cigarro, que entram em contato com o sangue arterial, aquele que é rico em oxigênio e fundamental para a respiração celular, o que acaba por comprometer funções essenciais para o corpo, como a oxigenação de tecidos do coração e a umidade de tecidos epiteliais. Dessa forma, um dos principais problemas causados pelo vício do fumo é, certamente, o crescimento dos índices de complicações cardiovasculares e doenças de pele para a saúde nacional.

Haja vista tal panorama, o tabagismo gera inúmeras consequências negativas que, aliadas à inobservância do poder público, corroboram para a crise do sistema de saúde estatal. Segundo a filosofia de Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil de forma plena. Devido à falta de investimento em setores estratégicos do Sistema Único de Saúde (SUS), como a contratação de cardiologistas e psicólogos para combater o vício, o número de casos solucionados decresce exponencialmente, fato justificado pela falta de infraestrutura hospitalar que o povo necessita, o que acarreta a superlotação dos hospitais públicos e a deficiência do serviço oferecido. Logo, a ineficiência pública diverge da lógica hobbesiana e reafirma os resultados desfavoráveis que a prática do tabagismo gera à saúde nacional.

Dessarte, medidas que visam mitigar os problemas e consequências do fumo são necessárias. Para tal, o Ministério da Saúde deve combater arduamente o crescente número de adeptos ao cigarro e suas complicações de saúde, por meio da criação de secretarias especializadas no combate à doença. Tal proposta sugere a configuração de um Plano Nacional de Luta Contra o Tabaco que envolva, principalmente, o repasse monetário para as áreas deficitárias, como a contratação de profissionais e construção de redes hospitalares especializadas, para que, a médio prazo, os desafios sobre essa questão sejam amenizados e a saúde de qualidade seja assegurada a todos os cidadãos.