Tabagismo no século XXI: problemas e consequências
Enviada em 21/10/2019
“Olha só, para você, Terê, parece um zumbi, é incapaz de pensar em outra coisa, a não ser fumar”. Esta é uma fala direcionada a personagem Terê, da série Visa-Visa, a qual, reflete sua perda de capacidade produtiva devido aos inúmeros problemas de saúde adquiridos pelo hábito de fumar. Apesar de ser uma ficção, há inúmeras “Terês” na vida real, as quais têm sua qualidade de vida, extremamente, prejudicada, devido a perda de autonomia para as substâncias, que causam dependência química, contidas no tabaco. Neste contexto, a qual “Terês” continuam a serem formadas, a pobreza, pela perda de produtividade devido a deterioração do bem estar físico e emocional do tabagista, é exacerbada. Assim, é, imprescindível, a análise das causas que criam “Terês”, a fim de que o ser independa do consumo do tabaco, portanto, tenha plena liberdade de escolha.
É importante ressaltar, que há uma glamourização no ato de fumar, estimulada, sobretudo, pela indústria cultural, a qual, segundo Theodor Adorno, filósofo alemão da Escola de Frankfut, tenta massificar o consumo de produtos, para maximizar os lucros. Sob essa ótica, comandos publicitários atuam sobre consumidor, a fim de seduzi-lo a comprar a mercadoria, mecanismo, definido por Karl Marx como: fetiche fantasmagórico. Assim, ao efetuar a compra, o ser obedece aos estímulos do fetiche e perde sua autonomia de escolha para o desejo que a sedução lhe oferece. Uma vez submisso a idealização oferecida pelo fetiche, e consumido o cigarro, o ser passa a sentir os efeitos da nicotina: substância, a qual compõe sua essência, e causa mais dependência do que a cocaína e a heróina.
Outrossim, o medo de parar de fumar e não sentir mais o prazer temporário que o cigarro proporciona, torna o indivíduo cego para com as suas responsabilidades sociais, tal como escritor José Saramago afirma, em seu livro “Ensaio sobre a cegueira”, o medo é o que torna o ser incapaz de mudar. Com base nisto, o tabagista se torna indiferente as consequências a sua saúde, decorrente da perda da sua liberdade, tais como: riscos de pneumonia, AVC, câncer; perda na capacidade de cognição, o que resulta na dificuldade de aprendizagem e memorização. Esta última, dificulta a inserção do ser na mercado de trabalho, o que potencializa a pobreza e a desigualdade social.
Informar o cidadão sobre a importância da sua liberdade de escolha, é, portanto uma forma de resistir às publicidades que fomentam o fetiche, para que o ser fume. Assim, é indispensável que o Ministério da Educação acrescente na grade de aulas, um horário específico, para a apresentação de temas como de Adorno, Marx, Saramago, a fim de que ele entenda o mecanismo que se beneficia do seu fumo e possa negá-lo. Aliado á isso, o aluno deve ser exposto as consequências a sua saúde semanalmente. Uma vez, integralmente, informado, “Terês” deixarão de serem criadas.