Tabagismo no século XXI: problemas e consequências
Enviada em 09/10/2019
De acordo com conceito biológico de “neurônios-espelho”, células especiais são ativadas no cérebro, o que faz com que um animal ou ser humano reproduzam as atividades que estão observando. Tratando-se do uso do tabaco, tais células agem de forma atrativa, o que tem acarretado um grande número de fumantes no século XXI e, consequentemente, afetando diretamente à saúde dos indivíduos. Logo, as ações por parte da família e do poder público para a redução da problemática ainda são insuficientes. Em primeira análise, é incontestável que a negligência da família contribui para a perpetuação da problema, uma vez que as crianças e adolescentes costumam ter o primeiro contato com o cigarro no próprio ambiente familiar. Nessa perspectiva, o filósofo Jean Rousseau afirma que o indivíduo é, e tende a ser, produto do meio em que está inserido, então apenas orientação não será suficiente. Esse fato se dá especialmente porque o cigarro é uma droga extremante viciante, que é capaz de elevar os níveis de dopamina no organismo humano, gerando uma sensação momentânea de bem-estar. Nesse contexto, o sociólogo Zygmunt Bauman afirma que as pessoas da contemporaneidade possuem extrema liberdade e buscam drogas geradoras de prazer imediato, como o tabaco. Ademais, dados da Organização Mundial da Saúde apontam o tabagismo como causador de milhares de mortes. Nesse sentido, apesar do Estado e dos indivíduos terem conhecimento dos malefícios do cigarro para a saúde humana, presentes na própria embalagem, como câncer de pulmão e acidente vascular cerebral, os interesses econômicos pautados na lógica hipercapitalista impedem que medidas drásticas sejam tomadas, como o controle e a limitação do tabaco. Tal fato comprova a ideia do economista brasileiro Hugo Penteado, o qual diz que os modelos econômicos tradicionais excluem duas variáveis, e uma delas são as pessoas. Esse cenário evidência o descaso do poder público com os indivíduos, já que atitudes eficazes não estão sendo feitas. Portanto, em virtude dos fatos supracitados é imprescindível que o Governo, por meio do Ministério da Justiça, promova fiscalização nos locais de vendas do cigarro, especialmente em relação à idade do consumidor, reforçando o cumprimento da lei que proíbe a venda a menores de idade. Para mais, o Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Educação, deve ampliar a realização de palestras sobre os malefícios do tabaco, nas instituições acadêmicas, bem como a disponibilização de profissionais especializados para auxiliar no controle do vício. Feito isso, o número de fumantes poderá diminuir e ocorrerá uma menor ativação dos “neurônios-espelhos”.