Tabagismo no século XXI: problemas e consequências

Enviada em 03/10/2019

A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do Brasil, prevê, em seu artigo 6, que aos cidadãos é assegurado o direito à saúde. Contudo, a glamourização do tabaco e a falta de informações sobre o seu uso corroboram com a persistência das consequências que o tabagismo traz à sociedade, o que denota um desafio à garantia da constitucionalidade. Urge, portanto, analisar tal realidade de modo a identificar e solucionar o problema e seus impactos sociais.

Em primeiro plano, o modo como o ato de fumar é tratado, principalmente na mídia, como natural e, por vezes, elegante influencia as pessoas à aderirem ao uso. De acordo com a Psicologia, em sua Teoria Cognitiva do Comportamento, o olhar que os indivíduos possuem sobre o outro é importante para a sua formação social. Desse modo, quando um meio social possui fumantes em sua maioria, o restante do grupo sente uma necessidade de pertencimento e logo pode tornar-se adepto ao uso do tabaco. Como consequência disso, o número de vítimas de doenças causadas pelo tabagismo aumenta - segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, fora as mortes, mais de 781 mil brasileiros ficam doentes devido a isso.

Ademais, a escassez da divulgação de informações a respeito do uso do tabaco e suas consequências corroboram para naturalizar ainda mais a utilização desse produto. Conforme o conceito de Habitus, do sociólogo Pierre Bourdieu, a sociedade absorve e neutraliza uma estrutura que é imposta à sua realidade. Dessa maneira, a falta de conscientização, seja dos fumantes ou não, atrelada à glamourização midiática, auxília na manutenção e no crescimento da cultura do tabagismo. Em decorrência disso, além de colaborar com o número de mortes e doenças, muitas pessoas não buscam tratamento para esse vício, pois não são notificadas de que há ajuda gratuita pelo Sistema Único de Saúde, por exemplo.

Assim sendo, é necessário tomar medidas capazes de criar um olhar crítico sobre o tabagismo e de divulgar informações a seu respeito. Portanto, cabe ao Ministério da Educação promover palestras nas escolas sobre os males do uso do tabaco, por meio de reuniões com alunos e seus familiares, com o fito de instruir os jovens e as crianças para o futuro e de conscientizar os adultos. Além disso, tange ao Ministério da Saúde promover campanhas sobre o tema, via propagandas em postos de saúde e mídias mais utilizadas, com o fim de atingir o maior número de pessoas sobre as consequências do ato de fumar e de onde buscar tratamento. Logo, com a tomada dessas medidas, a problemática irá atenuar-se e o direito constitucional será garantido.