Tabagismo no século XXI: problemas e consequências

Enviada em 11/09/2019

Policarpo Quaresma, o patriota de Lima Barreto, em seu “Triste fim”, por ser perdidamente apaixonado pela pátria, enxergava o território brasileiro como o melhor lugar para se viver. Entretanto, hodiernamente, se observa a deficiência das medidas na luta contra o crescente consumo do tabagismo, devido não apenas à deturpada mentalidade social, mas também a educação pública deficitária. Talvez, diante disso, ele repensasse cuidadosamente a sua visão.

A princípio, vale ressaltar o conceito da “banalidade do mal”, proposto pela filósofa alemã Hannah Arendt, referente à tolerância, banalização e normalização daquilo que é assumidamente antiético na sociedade. De fato, a livre circulação e consumo massivo do tabagismo com respaldo legal do governo brasileiro, por ser um caso habitual, repetitivo e implícito, produz um conformismo na mente de parcela considerável da população nacional, o qual não só aliena os cidadãos perante ao assunto, bem como oculta a real magnitude do problema de saúde proporcionado pelo mesmo.

Além disso, de acordo com o Fundo Monetário Internacional, o Brasil é a nona economia mundial. Apesar do alto potencial econômico, o sistema educacional público ainda não se mostra totalmente eficaz e tem como reflexo o número expressivo de jovens fumantes, visto que, na maioria das vezes, a falta de debate sobre o assunto dentro das instituições de ensino faz com que os jovens se mantenham com vieses estereotipados decorrentes do senso comum, ou ainda pior, inobservantes quanto a questão. Desse modo, isso propicia o frequente consumo de cigarros prematuramente por esse grupo.

Logo, cabe ao Ministério da Educação criar um programa, ministrado por profissionais da saúde, para ser impulsionado nas instituições de ensino, o qual promova palestras, apresentações artísticas e saraus abertos ao público geral acerca dos problemas e consequências do cigarro para toda a população, dado que ações culturais coletivas têm imenso poder transformador, a fim de que, consequentemente, a comunidade escolar e civil se eduquem. Assim, poder-se-á criar um legado condizente ao ufanismo do Policarpo Quaresma.