Tabagismo no século XXI: problemas e consequências

Enviada em 19/08/2019

Em meados da década de 70  e até o fim dos anos 90, o fumante era visto como uma figura moderna, descolada, sendo retratado pelos filmes de forma glamourosa e elegante, incentivando toda a população a adotar este hábito. Além do apelo hollywoodiano, na época, a crescente indústria de tabaco associava o uso do fumo com a masculinidade, virilidade e sensualidade, além de trazer falsos benefícios como emagrecimento, sensação de bem-estar e diminuição da ansiedade. Contudo, além de serem escassos, os estudos acerca dos riscos do fumo não eram evidentes à população e o controle sobre a comercialização deste produto era precário, facilitando a consolidação do mesmo no mercado mundial.

Atualmente, o uso do tabaco mata mais de sete milhões de pessoas anualmente, a nível mundial. Segundo dados da OMS, no Brasil, essa substância vitimiza 200 mil pessoas por ano, além de gerar um prejuízo de 56,9 bilhões de reais, com despesas médicas e perda de produtividade. O tabaco não gera apenas uma consequência individual ao fumante, gera uma consequência ao ambiente em sua totalidade, atingindo a economia, a ecologia, a saúde e a sociedade como um todo. O uso deste produto reduz a produtividade, pois além de incrementar a mortalidade, o tabaco deixa mais de 781 mil brasileiros doentes, improdutivos, o que gera prejuízo tanto à economia do usuário, quanto à economia pública, visto que 30% - 68 bilhões de reais -  dos recursos do SUS são destinados à doenças relacionadas ao tabagismo.

Além das consequências físicas e financeiras, o tabagismo gera poluição e exacerba a pobreza, fazendo com que o tabaco seja alvo de controle em convenções realizadas pela OMS, como a Agenda 2030, que visa erradicar a pobreza e reduzir em até um terço o número de mortes prematuras causada por doenças cardíacas e pulmonares, como também o câncer e a diabetes, sendo o tabaco um fator de risco para o desenvolvimento e agravamento dessas doenças. O Brasil é referência mundial no combate ao tabagismo, visto a redução do tabagismo no Brasil, de 32,7% em 1997 para 14,8% em 2011, por meio de atitudes que educam o indivíduo à não consumir o cigarro.

É de reconhecimento internacional o sucesso que o Brasil tem tido na redução do tabagismo. Buscando sempre combater o fumo, cabe aos orgãos reguladores aumentar o preço dos cigarros, por meio de impostos, além de ampliar as leis existentes quanto à restrição do fumo à lugares públicos ou privados abertos como praças e parques. Cabe a mídia salientar e enfatizar os danos causados à saúde pelo uso do cigarro, assim como compete à família, escola e sociedade a conscientização e mobilização frente ao atos educativos e informativos acerca do perigo que o cigarro representa.