Tabagismo no século XXI: problemas e consequências
Enviada em 19/08/2019
Segundo Sartre, filósofo francês, o ser humano é livre e responsável, cabe a ele escolher o seu modo de agir. No entanto, essa liberdade vem sendo acompanhada por um aumento de adeptos ao tabagismo na sociedade contemporânea, devido a fatores como negligência estatal e ausência de mobilização social.
Em primeiro plano, a omissão do Estado permite os constantes casos de empecilhos sociais. Nesse sentido, segundo o filósofo contratualista John Locke, o Estado é o agente responsável por garantir o bem-estar de todos. De maneira análoga, percebe-se que a realidade brasileira vai de encontro ao pensador inglês, haja vista a falha na capacidade das autoridades governamentais em investir em políticas públicas firmes à prevenção do uso do tabaco, visto que desviam, lamentavelmente, o dinheiro público. Dessa forma, isso contribui à degradação da humanidade, por conta do vício a essa substância.
Outrossim, vale destacar, ainda, a conduta social como uma das causas do problema em questão. Nesse viés, segundo a Teoria do Habitus, desenvolvida pelo sociólogo Pierre Bourdieu, a sociedade incorpora, naturaliza e reproduz padrões ou comportamentos ao longo do tempo, haja vista o pensamento cultural de que fumar tira o estresse, uma vez que instituições sociais como a família e a escola não transmitem, por ser considerado um tabu falar sobre o cigarro, ensinamentos para conscientizar os indivíduos sobre os seus malefícios. Com isso, ocorrem situações preocupantes como o alto nível de doentes cardiovasculares e casos de câncer de pulmão. Assim, é necessário uma mudança no comportamento social para reduzir esse impasse.
É evidente, portanto, que o combate ao tabagismo, a fim de conter os seus desafios, deve tornar-se efetivo. Em decorrência disso, o governo, por meio do Ministério da Saúde, através de uma realocação financeira e parcerias com a iniciativa privada, deve fiscalizar mais a aplicabilidade do dinheiro público e investir no campo da saúde básica, a fim de disponibilizar programas assistenciais de prevenção e tratamento ao fumo. Já a escola e a família, instituições formadoras do caráter do indivíduo, devem intensificar debates e projetos sociais capazes de promover uma cultura de cidadãos com hábitos racionais que minimizem a problemática. A partir de atitudes como essas, a responsabilidade posta no ideário de Sartre poderá ser conquistada.