Tabagismo no século XXI: problemas e consequências

Enviada em 16/08/2019

Dados da Organização Mundial da Saúde apontam que o uso de tabaco é responsável pela morte de 0,1% da população humana mundial todos os anos. Nesse ínterim, é imprescindível traçar maneiras de amenizar e posteriormente erradicar essa temática do contexto nacional e analisar como a volatilidade das relações pós-modernas aliada a pressão de determinados grupos sociais e a necessidade de autoafirmação, configuram o tabagismo como uma construção social.

Mormente, cabe apontar a falta de solidez nos relacionamentos interpessoais como fator crucial para a persistência da temática no Brasil. Conforme defendeu o sociólogo Zygmunt Bauman em sua obra “Amor Líquido”, as relações pós-modernas se caracterizam como efêmeras e voláteis, sendo abstratamente tratadas como “relações líquidas”. Diante disso, percebe-se que os indivíduos - por não conseguirem manter laços duradouros entre si - tendem a se sentirem mais solitários, o que, indubitavelmente, culmina para a massificação do uso de tabacos, uma vez que os cigarros liberam substâncias capazes de promover o prazer e suavizar os anseios da vida cotidiana. Assim, verifica-se que as pessoas apropriam-se do tabagismo para suprirem as vulnerabilidades de suas alianças e relações, de forma a causarem, em si, danos irreversíveis, como câncer e doenças pulmonares.

Ademais, durante os anos 80, o tabagismo estava relacionado com o glamour e a aceitação social, figurando como tema central de músicas, anúncios publicitários e filmes, correlacionado o cigarro como sucesso pessoal e profissional. Sob esse viés, o sociólogo Durkheim define fato social como um conjunto de instrumentos sociais e culturais que determinam as maneiras de agir, pensar e sentir na vida de um indivíduo. Assim, é possível uma análise dos fatores sociais que estão relacionados com essa ação, no qual o tabagismo comporta-se como ferramenta de inclusão social, chegando a ser uma marca característica de alguns grupos, possibilitando uma maior aceitação, e por consequência evitando uma série de emoções negativas, advindas da rejeição social.

Portanto, compete às prefeituras, em parceria com o Ministério da Cultura, garantir outra forma de conter os anseios sociais, por intermédio do oferecimento de peças teatrais e “workshops” em espaços públicos das cidades, de modo que os indivíduos encontrem outras formas de refúgio de suas mazelas pessoais, a fim de que esses não sejam mais dependentes do cigarro para o relaxamento e sensações de prazer. Além disso, o CONAR (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) deve desenvolver uma série de propagandas que visem desconstruir o ideal imaginário elaborado em torno do cigarro, assim desvinculando seu consumo com o status social. Logo, a sociedade brasileira poder-se-á estar livre do tabaco e suas consequências.