Tabagismo no século XXI: problemas e consequências
Enviada em 15/08/2019
“Você é livre para fazer suas escolhas, mas é prisioneiro das consequências. ” — Pablo Neruda. Neruda foi um poeta chileno que através de suas obras provocam reflexões sobre nossas liberdades individuais, mas que nos trazem consequências. De maneira análoga, o tabagismo no século XXI há muito se tornou uma questão de relevante importância, por transformar os usuários em escravos de suas escolhas assim colhendo as consequências dessa prática. O Ministério da Saúde apresentou uma diminuição de 33% do hábito tabágico entre os brasileiros, porém, a persistência dessa situação coloca a população diante um grave problema social que precisa ser enfrentado, não só porque apresenta riscos a longo prazo para à saúde de fumantes ativos e passivos como também gera prejuízos econômicos para as instituições governamentais.
Em primeiro lugar, pesquisas da Organização Mundial da Saúde (OMS) constataram que o tabaco mata mais de 7 milhões de pessoas por ano sendo 6 milhões por uso ativo, enquanto 890 mil são resultados de não fumantes, mas expostos de forma passiva ao fumo. Segundo a OMS, para os usuários ativos, o tempo de vício no tabagismo é diretamente proporcional as chances de desenvolver doenças como câncer, leucemia, infarto do miocárdio, enfisema pulmonar dentre outras doenças crônicas. Os fumantes passivos, expostos a curto prazo ao cigarro, podem desencadear reações alérgicas das vias aéreas como rinite, conjuntivite, tosse e agravamento de asma, contudo, quando expostos a um longo período possuem as mesmas chances de desenvolver as doenças, supracitadas, de usuários ativos.
Em segundo lugar, seria racional acreditar que o Brasil possui um sistema público eficiente, visto que ocupa a oitava posição da economia mundial. Contudo, a realidade é justamente o oposto e o resultado desse contraste é claramente refletido nos gastos evitáveis com saúde. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), o consumo do tabaco gera um prejuízo de R$ 56 bilhões aos cofres públicos por ano. Diante do exposto, tal situação é recorrente pela falta de produtividade provocada por mortes prematuras ou por incapacitação dos trabalhadores, consequência das doenças causadas pelo cigarro.
É evidente, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem à construção de mundo melhor. Destarte, por meio de divulgações midiáticas, o Ministério da Saúde deve, de forma alusiva ao pensamento de Neruda, expor a sociedade os problemas ao escolher o tabagismo e intensificar a divulgação dos tratamentos anti-tabaco do Sistema Único de Saúde (SUS). O Ministério da Educação (MEC) deve instituir, nas escolas, palestras ministradas por profissionais da saúde, que discutam o Tabagismo no século XXI, a fim de que o tecido social seja conscientizado para que não viva a realidade das sombras, assim como na alegoria da caverna de Platão.