Tabagismo no século XXI: problemas e consequências

Enviada em 17/08/2019

A série de filmes “O Senhor dos Anéis” retrata uma sociedade onde o tabagismo é predominante, evidenciando como maior costume e lazer dos personagens a prática do fumo. Assim como no universo da trilogia, a sociedade do século XXI em exercício do pleno direito à liberdade individual tem vivenciado um constante crescimento do uso do tabaco, causador de doenças muitas vezes fatais que afeta a sociedade como um todo e gera um problema de saúde pública.

Primeiramente, é importante entender que o o tabagismo não se resume ao uso do cigarro, no entanto este se mostra o mais problemático dos produtos. Entre os derivados do tabaco, pode-se citar charutos, narguilés, cachimbos, e os cigarros. O último sendo o mais amplamente consumido pela sociedade alerta para as consequências de seu uso na saúde do indivíduo. Seu consumo em excesso causa, segundo uma pesquisa do IBGE 2008, pelo menos 6 tipos diferentes de doenças pulmonares, cerebrais e do coração, causando mais de 130 milhões de mortes por ano. Dessa forma, o vício da nicotina deixa se ser um problema individual e se torna um problema relativo a sociedade, necessitando uma atenção especial por parte dos governantes.

Ainda sim, apesar de, logicamente, se fazer necessária a intervenção do Estado para resolução do problema, este enfrenta um embate constitucional: o respeito à liberdade individual. Com o respaldo do artigo 3º da Declaração dos Direitos Humanos de 1978 feita pela ONU, e do Artigo 5º da Constituição brasileira, o indivíduo não pode ser privado de sua liberdade de consumo desde que respeite a lei. Sucede-se que além de legalizado, estando assim o fumante prevenido de qualquer punição, o tabaco é facilmente encontrado em comércios como mercearias, bares, supermercados, tabacarias, entre outros, na maioria das vezes por preços muito acessíveis. O preço e os locais de compra dos cigarros são facilitadores de seu consumo e comercialização, criando uma cultura de consumo difícil de ser revertida.

Portanto, não sendo possível a proibição do tabagismo, é mister trabalhar na dificultação do acesso a produtos à base de nicotina. Para tanto, é necessário que o Ministério da Saúde em conjunto com o Ministério da Economia, faça com que os produtos se tornem mais caros e de difícil acesso, através de uma reforma tributária direcionada a especificidade do comércio de tabaco. Além disso, é importante investir na reabilitação dos então dependentes da químicos, por meio da disponibilização de assistência psicológica e fisiológica de forma gratuita através da rede pública de saúde. Dessa forma, espera-se que a cultura de banalização do fumo seja aos poucos desconstruída e desencorajada, ao mesmo tempo que os atuais dependentes sejam assistidos no vício que ameaça suas vidas.