Tabagismo no século XXI: problemas e consequências
Enviada em 11/08/2019
O tabagismo é uma doença caracterizada pela dependência da nicotina presente em produtos à base de tabaco, planta descoberta na América no século XV e que compõe o recheio de charutos e cigarros. Dessa maneira, pode-se afirmar que o tabagismo deve ser visto como um inimigo a ser combatido, uma vez esse hábito maligno se popularizou globalmente e gera um enorme prejuízo anual aos cofres brasileiros.
A priori, vale ressaltar que, há poucas décadas, havia uma grande glamourização do ato de fumar por meio de filmes. Durante a Guerra Fria, o American Way of Life foi utilizado para combater o comunismo soviético, e uma de suas estratégias era divulgar a superioridade do estilo de vida estadunidense por intermédio de filmes exibidos internacionalmente. Entretanto, um dos grandes protagonistas destes filmes era o cigarro, associado à macheza, glamour e cenas de sexo, como na obra A Carne e o Diabo de 1926, o que trouxe extrema popularidade ao ato de fumar. Somente a partir das décadas de 40 e 50 que os primeiros estudos sobre as maléficas consequências do tabagismo, tanto aos fumantes quanto às pessoas que convivem com eles, passaram a ganhar força, porém muitas pessoas que vivem à margem da sociedade ainda desconhecem os dados destas pesquisas e perpassam a visão do ato de fumar como algo virtuoso, resultado da parceria entre cinema e tabaco cujo auge ocorreu no início do século XX.
Ademais, é importante considerar também que o Brasil gasta mais com as consequências do cigarro do que lucra com seu comércio. Segundo pesquisas da OMS, a cada tragada de cigarro são inaladas mais de 4000 substâncias tóxicas e cancerígenas, como o monóxido de carbono, que deixa o sangue mais denso ao se ligar às hemácias e facilita a formação de plaquetas que podem obstruir artérias e causar um AVC, e a nicotina, que gera dependência e é associada a problemas cardíacos e vasculares. Além disso, as pessoas que convivem com fumantes estão mais propensas a adquirir câncer de pulmão e infecções respiratórias, como a bronquite. Nesse contexto, embora o Brasil arrecade cerca de 6 bilhões anualmente com a venda de cigarros, conforme pesquisa da Revista Galileu, o gasto estatal com saúde para tratar dos malefícios supracitados é mais de três vezes maior e passa dos 20 bilhões de reais por ano.
Portanto, medidas são necessárias para combater o impasse. Urge que o Ministério da Educação forneça subsídios para que as escolas de ensino fundamental e médio possam realizar atividades lúdicas, como mesas redondas que contem com a participação de profissionais da saúde especializados em doenças vasculares, cardíacas e cancerígenas que informem sobre as substâncias que compõem os cigarros, bem como suas maléficas consequências ao organismo, a fim de destruir a glamourização do tabagismo, reforçada durante décadas, e afastar de vez esse hábito maligno de nossos futuros adultos.