Tabagismo no século XXI: problemas e consequências

Enviada em 09/08/2019

“Deixar de fumar é a coisa mais fácil do mundo. Sei muito bem do que se trata, já o fiz cinquenta vezes.” Nesta citação, o falecido escritor estadunidense Mark Twain expressa as dificuldades que os cidadãos podem apresentar na luta contra o tabagismo. Ainda que o tabaco tenha sido descoberto pelos índios, durante o período colonial, ele só se tornou um vício a partir da Revolução Industrial, com o surgimento das primeiras fábricas de cigarro. Tal impacto afetou negativamente a sociedade até a contemporaneidade, sendo necessário analisar como o consumo demasiado está vinculado diretamente ao sistema sociopolítico vigente e quais as suas consequências na rotina dos brasileiros.

Em primeiro momento, é impossível dissociar o uso excessivo de tabaco da estrutura econômica atual. Isto se deve ao fato de que as rotinas de trabalho exaustivas impedem que muitos cidadãos consigam manter determinada sanidade mental sem recorrer ao uso de substâncias psicotrópicas. Como afirma a Associação Internacional de Controle do Stress e da Tensão, nove em cada dez brasileiros no mercado de trabalho apresentam sintomas de ansiedade, do grau mais leve ao incapacitante. Contudo, a utilização de cigarros, como forma de amenizar os efeitos que o capitalismo causa a nível individual, gera a consequência do tabagismo coletivo.

Ademais, a toxicomania referente à nicotina, que é a principal substância ativa no tabaco, provoca efeitos irreversíveis no corpo humano. Decerto, a alta temperatura da fumaça afeta as vias respiratórias e os pulmões, queimando os cílios responsáveis pela filtração e ocasionando a dificuldade respiratória progressiva. Com isso, os fumantes ativos e passivos morrem 3 vezes mais de doenças vasculares do que os cidadãos saudáveis, segundo a Organização Mundial da Saúde. Além disso, ainda que o tratamento para a cessação do hábito tabágico seja oferecido pela rede pública, é preciso que a população tome conhecimento dos mecanismos de combate ao tabagismo.

Por conseguinte, urge que o Ministério da Saúde, em parceria com as agências publicitárias privadas e públicas, realize campanhas de divulgação dos programas contra o vício de nicotina, por meio dos diferentes veículos de comunicação. Dessa forma, a população se conscientizará de que é possível reduzir os efeitos causados pela abstinência do cigarro, além de tomar conhecimento de outras formas de combater o stress e a ansiedade, com a ajuda de tratamentos psicológico e psiquiátrico.  Ainda, o Ministério do Trabalho deve agir, em parceria com o Poder Judiciário, na fiscalização da rotina de trabalho das empresas, por meio de denúncias realizadas pelos cidadãos presencial e virtualmente. Desse modo, será possível garantir a integridade laboral dos brasileiros e contornar a exaustão física e mental, evitando o desenvolvimento de transtornos psicossomáticos e o consequente uso do tabaco.