Tabagismo no século XXI: problemas e consequências
Enviada em 11/08/2019
A Era de Ouro de Hollywood, nos anos 30, foi responsável pela difusão de diversos padrões sociais, como por exemplo, o ato de fumar, o que contribuiu no aumento exponencial do número de fumantes adultos e jovens. Nesse sentido, com o aprimoramento das pesquisas científicas, o ônus atrelado a esse comportamento tão popular veio à tona, no entanto, não foi suficiente para impedir a persistência dessa prática no século XXI. Desse modo, é importante analisar como a cultura hedonista e a inobservância estatal influenciam nessa problemática para poder minimizar as consequências.
Convém ressaltar, a princípio, a busca inconsequente por prazer e fugacidade, bastante presente na sociedade contemporânea, como uns dos fatores determinantes para a escolha do uso de substâncias como o tabaco. Isso ocorre devido a presença de agentes químicos no cigarro que causam sensação de alegria quase que instantaneamente após a aspiração, esse regozijo se torna viciante e oculta todos os problemas de saúde advindos dessa prática. Assim, os usuários se tornam mais vulneráveis a desenvolverem doenças no sistema respiratório e cardiovascular, como o câncer nos pulmões, que segundo dados do Instituto Nacional de Câncer - INCA é o segundo tipo mais comum no Brasil e responsável pela morte de quase 30 mil pessoas em 2015. Essa realidade aponta para uma população com má qualidade de vida e propensa a vícios.
Além disso, as altas taxas de tabagistas refletem na inercia de um governo que deve ser responsável pela promoção de saúde pública, conforme a Constituição Federal de 1988. Assim, a defesa de um projeto de redução dos impostos sobre o tabaco, divulgado em 2019 pelo Ministro da Justiça, representa um país que vai ao desencontro das medidas estipuladas pela Organização Mundial da Saúde - OMS para controlar o tabagismo, uma vez que a diminuição do preço do cigarro estimula um maior consumo. Atrelado a isso, surge o aumento das despesas com tratamento das doenças decorrentes do fumo e uma possível estagnação econômica, visto que segundo dados do Ministério da Saúde, em 2018 o Brasil gastou 57 bilhões com recursos terapêuticos para problemas derivados dessa prática, enquanto a arrecadação de impostos sobre o cigarro foi de apenas 13 bilhões.
Portanto, fica claro que o tabagismo representa um grave problema de cunho social e de saúde pública, que necessita ser minimizado. Para tanto, cabe ao Ministério da Saúde, principal órgão responsável por esse setor no Brasil, em parceria com os municípios, a criação de grupos de apoio aos fumantes, por meio da contratação de psicólogos especializados, no intuito de diminuir o número de dependentes. Ademais, cabe ao poder legislativo criar leis mais duras na tentativa de coibir a possibilidade de reduzir os impostos sobre o cigarro, como forma de frear, cada vez mais, o consumo.