Tabagismo no século XXI: problemas e consequências
Enviada em 14/09/2019
O artigo 196 da Constituição Federal brasileira garante a todos o direito à saúde, bem como incube ao Estado a sua promoção. Porém, diante da conjuntura instaurada pelo tabagismo, no país, percebe-se que essa lei não tem sido cumprida devido,sobretudo, a fatores econômicos e históricos, o que necessita de medidas prementes de solução.
De início, cabe ressaltar como o sistema econômico vigente é um dos responsáveis pela problemática. Nesse contexto, segundo o filósofo Byung Chul-Han, vive-se no século XXI em uma “Sociedade do cansaço”, na qual há um incentivo para que o indivíduos produzam além das suas condições fisiológicas, em que o sucesso individual é atrelado a capacidade produtiva, a fim de fomentar o consumismo na sociedade. Sob tal ótica, os que buscam se inserir nesse contexto de superprodução fazem, em muitos casos, a utilização exacerbada de cigarros para se sentirem mais relaxados e para promover uma espécie de fuga dessa rotina atribulada, uma vez que essa droga possui essas características. Consequentemente, aumenta-se o casos de câncer no pulmão e da traqueia da população, o que pode promover um aumento das filas nos hospitais e nos SUS.
Além disso, é importante pontuar como o histórico do uso desse entorpecente contribui para a manutenção desse dilema. Nesse viés, consoante Pierre Bordiueu- sociólogo francês- em sua teoria “Habitus”, as estruturas sociais são incorporadas durante o processo de socialização, fazendo com que comportamentos característicos de uma determinada época sejam naturalizados pela sociedade e, consequentemente, reproduzidos ao longo das gerações. Dentro dessa perspectiva, criou-se uma imagem de poder atrelada ao uso dos cigarros, reiterada nas propagandas do final do século XX, bem como nas obras cinematográficas, a exemplo do filme “O Poderoso Chefão”, conduta que foi absorvida e replicada ao longo dos anos. Por conseguinte, muitos adolescentes, ainda em construção da sua identidade, são mais suscetíveis a essa influência, e começam a utilizar tal droga, o que faz com que estes desenvolvam patologias pulmonares.
Fica clara, pois, a urgência em coibir essa preocupante realidade. Para isso, é necessário que o Ministério da Saúde promova campanhas de merchandising social, em novelas e filmes, por meio de da vinculação dos riscos da utilização do cigarro, dos problemas relacionados a utilizá-lo para amenizar a rotina atribulada , como causar vício, além de desconstruir a imagem positiva atrelada a essa droga, com vistas a mitigar essa prática nociva e promover o disposto na Carta Magna do país.