Tabagismo no século XXI: problemas e consequências
Enviada em 01/07/2019
A persistência da memória, obra do pintor surrealista Salvador Dalí, é uma tela composta por relógios distorcidos que parecem derreter. Tal obra é, na verdade, um alerta sobre a imagem distorcida que a sociedade cria do tempo, esquecendo-se de sua escassez e do quão efêmera a vida humana é, persistindo apenas as memórias, boas ou ruins. Nesse sentido, o quadro surge como um espelho para a sociedade hodierna e sua relação amorosa com vícios, como o tabagismo, escolhas que mostram a exacerbada indiferença à fluidez do tempo. Um verdadeiro ‘‘canto da sereia’’ que escraviza e persiste, bem como as lembranças ruins. Diante disso, emergem como principais desafios dessa problemática; a glamourização do vício, em liame ao estresse da vida moderna.
Precipuamente, a bandeira das drogas é frequentemente agitada pela classe artística e intelectual, levando à camoratização que glamouriza o uso, principalmente do cigarro. Atrela-se ao exposto, a lista criada pela revista exame com o nome de 23 celebridades que assumiram o uso da maconha. Tal notícia pode soar inofensiva, porém, refere-se a pessoas que possuem poder de influência sobre o imaginário coletivo, criando, principalmente para aqueles que os admiram, uma imagem romantizada do ato de fumar. Dessarte, surge a idéia Darwiniana de seleção natural, que denota uma característica inerente à humanidade, -a capacidade de adaptação- e a absorção do hábito de consumir cigarros é uma forma de introdução e permanência em um determinado ambiente, seguindo exemplos de pessoas tidas como “bem sucedidas’’. Ademais, a coletividade,cada vez mais capitalista, têm no estresse da vida cotidiana o gatilho perfeito para a ascenção da dependência de nicotina. Assim, cabe a afirmação do sociólogo Thomas Hobbes, ‘‘O homem é o lobo do homem’’. Essa assertiva diz respeito à natureza do homem, como mal, admitindo que o homem seria o motivo de sua própria mazela, refletindo sobre a reportagem, apresentada pelo globo esporte, que apresentava dados sobre o número de fumantes, o qual havia aumentado em 2017 para quase 9% entre os jovens. Outrossim, o tabagismo pode parecer inofensivo para aqueles que buscam uma fuga do estresse cotidiano, facilitando a dependência. Urge, portanto, a criação de medidas para que o tabagismo seja combatido na sociedade atual. A criação de campanhas que mostrem os malefícios da ‘‘primeira tragada’’ devem ser prioridade para o Ministério da Saúde, bem mais do que mostrar as consequências do uso prolongado, explicitar as mazelas que a experimentação pode trazer deve lograr êxito. A utilização do CID-classificação internacional de doenças-pode ser eficiente como alerta, mostrando no que o uso contínuo do tabaco pode se transformar, uma doença. Extinguindo o vício, assim como as lembranças ruins da obra de Dalí.